domingo, 6 de abril de 2014

do tempo

sei e sinto o desprezo
dos olhos meus aos teus
e te sopro e emudeço

numa síncope no peito
faço morada, faço gelo
e sobre ela, deito-me

não há, não houve
no silêncio que me protege
nenhum outro veio

só esses versos
que ainda teço, ao meio
e me descobrem inteira

ah, essa minha indiferença
que me faz em pé e sem correntes
mãos soltas em reticências

e se me assusta ser livre...
encanta-me a ti, meu desapego
ontem era tudo, hoje és areia

areia ao vento
areia entre os dedos
areia ao tempo

Um comentário:

  1. Até o amor tem um começo e um fim...
    Belíssimo poema.
    Almma, beijo!

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