domingo, 19 de novembro de 2017

ruídos

sempre soube
que entre nós
só haveria
ontens...

e que os amanhãs
não teceriam lonjuras
aos desejos amorfos
do que não houve

e ainda assim
eu te ouço...

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

abstinências

das coisas
que transpassam-me
a alma

umas alumbram
meus ossos e fustigam
meus olhos

outras na pele
deixam-me restos e
rastros

e há aquelas
na língua e na goela
tão amaras

tantas e quantas
nos elos, nas eras
espreitam-me

e tudo que querem
são palavras, palavras
e palavras

e por vezes
apenas, calo-me...

terça-feira, 14 de novembro de 2017

frações

e quando
resolvi-me
inteira...

não mais
esperei olhos
alheios

aceito-me assim
ao meio...

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

pendências

nos ombros
da tarde

a insônia
dos sonhos

o deboche
do sol

e olhos
de ontens...

domingo, 12 de novembro de 2017

sábado, 11 de novembro de 2017

de olhos fechados

e num sol escancarado
sem máculas, só pecados
de castigos sem chicotes
só corpo, cruz e amarras

vive a clave, a luz, a nave
ainda menina, ainda eva
das veias, das vaias
das saudades,

e se nele, no sol, não te acho
fujo para as sombras do passado
só para no vazio do ontem
te encontrar....

te encontrar
e te encontrar...

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

tempo

num canto
de espelhos

o coral
os silêncios,

tecituras
e tez

no pêndulo
do medo

sexta-feira, 21 de julho de 2017

domingo, 16 de julho de 2017

feedback

nem nos cacos
nem nos cortes

nem na faca
nem nos fósseis

é na palavra
é nos olhos

que a poesia
nasce ou morre...

domingo, 9 de julho de 2017

de assis...

fosse Machado uma foice
fosse Machado uma faca
não foi, não era,
não é...

é machado que corta
lanha, sangra, drena
a carne, o pretérito
a palavra, o verbo

como se
vício da alma fosse
e corroesse as entranhas
as desculpas, as culpas

e o avesso de todo verniz
e o avesso de toda superfície
e o avesso de toda a pele
e o avesso dos olhos

expeliu e expele
à terra, ao sol, à lua
à estrelas, a Deus
ao adeus,

aos vermes,
os vermes