num findo crepúsculo
tantas vozes, tantas aves
mergulham mais fundo
não fossem as rezas
não fossem os crédulos
com outras asas
com outros olhos
alçariam uma fuga
quarta-feira, 18 de abril de 2018
segunda-feira, 26 de março de 2018
assepsia
preciso fechar
portas e janelas
cuidar de
minhas feridas
sem que
amanhãs e hoje
adentrem
pelos meus olhos
e açoitem meus ossos
e minha poesia
portas e janelas
cuidar de
minhas feridas
sem que
amanhãs e hoje
adentrem
pelos meus olhos
e açoitem meus ossos
e minha poesia
domingo, 18 de março de 2018
veredicto
queria ter ido
queria ter cortado
o cordão do meu
umbigo
mas ainda é domingo
e domingos pedem útero
de mãe
e eu
fico...
queria ter cortado
o cordão do meu
umbigo
mas ainda é domingo
e domingos pedem útero
de mãe
e eu
fico...
sexta-feira, 2 de março de 2018
amputações
ah, esses bastidores...
de quantas drágeas necessito
para enterrar o que não existe?
desejo o sono
desejo o sonho e não
encontro-os
nada há
além da carne e dos ferros
que me acompanham
e ainda dizem
serem fantasmas
as minhas dores...
de quantas drágeas necessito
para enterrar o que não existe?
desejo o sono
desejo o sonho e não
encontro-os
nada há
além da carne e dos ferros
que me acompanham
e ainda dizem
serem fantasmas
as minhas dores...
domingo, 25 de fevereiro de 2018
enfim...
eu sei
eu te disse que
não olharia
para trás
mas hoje
seu rosto
no retrovisor
tanto faz
e não dói mais...
eu te disse que
não olharia
para trás
mas hoje
seu rosto
no retrovisor
tanto faz
e não dói mais...
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
provocações
há vícios abertos
à espera das entrelinhas
dos versos, só para
exibirem-se aos olhos
da poesia
e por um momento
sentirem do poeta
os dedos, os ossos
as veias, a carne e
os gestos...
e depois...
depois cuspirem
ao chão suas cascas
suas casas e suas
palavras
à espera das entrelinhas
dos versos, só para
exibirem-se aos olhos
da poesia
e por um momento
sentirem do poeta
os dedos, os ossos
as veias, a carne e
os gestos...
e depois...
depois cuspirem
ao chão suas cascas
suas casas e suas
palavras
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
indulto
diz-me
em que momento
deixaste de ser
doce e único
diz-me para que servem
essas tantas janelas tuas
se nenhuma te mostra
minhas angustias
diz-me porque
usar de simulacros e dúvidas
se podes pousar teus olhos
em meu luto
diz-me
sem medo, sem censuras
onde escondes teu vulto
e minha cura...
em que momento
deixaste de ser
doce e único
diz-me para que servem
essas tantas janelas tuas
se nenhuma te mostra
minhas angustias
diz-me porque
usar de simulacros e dúvidas
se podes pousar teus olhos
em meu luto
diz-me
sem medo, sem censuras
onde escondes teu vulto
e minha cura...
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
quimera
quem dera despertar
do outro lado do jogo
sem medo e cara a cara
com o novo...
não quero mais
obedecer aos meus pés
não quero mais
calçar o que não me cabe
quero parir navalhas
e arrancar da carne
a subserviência das
pedras...
do outro lado do jogo
sem medo e cara a cara
com o novo...
não quero mais
obedecer aos meus pés
não quero mais
calçar o que não me cabe
quero parir navalhas
e arrancar da carne
a subserviência das
pedras...
sábado, 3 de fevereiro de 2018
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
dos credos
num rosário
de eras, pérolas
e pedras
e esses tropeços
pendurados em
esperas
ainda rezam...
de eras, pérolas
e pedras
e esses tropeços
pendurados em
esperas
ainda rezam...
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