e o vento não levou
e a chuva não lavou
o quê o tempo
tão bem tatuou
os meses, as horas
caem, passam, riem, choram
sem enterrarem os dias
em que teu nome mora
são cruéis esses úteros
a parirem tuas faces
psicoticamente num enlevo
de quem luas, engolem
e cobrem de feridas
carne e alma que mentem
ter esquecido teus olhos
presos de remorso
num átimo de morte
segunda-feira, 15 de maio de 2017
tese
há
noites ( e dias )
em que qualquer
salto é
parto
peripécias
de belas e
pedras,
príncipes
e cacos
tecituras
de quem
voa sem naves
num mergulho
sem asas
e ainda
verde, tenro
teso, tenso,
feto, suicida-se
... nasce...
noites ( e dias )
em que qualquer
salto é
parto
peripécias
de belas e
pedras,
príncipes
e cacos
tecituras
de quem
voa sem naves
num mergulho
sem asas
e ainda
verde, tenro
teso, tenso,
feto, suicida-se
... nasce...
quinta-feira, 11 de maio de 2017
pausa
e se me perguntar
aonde escondi o seu
retrato
hoje respondo:
ali no meio
do nada
enterrado
tão fundo, sem nome
sem verbo, sem lápide
não quero
ao meu alcance
seus passos
não quero
sua face em minhas
palavras...
aonde escondi o seu
retrato
hoje respondo:
ali no meio
do nada
enterrado
tão fundo, sem nome
sem verbo, sem lápide
não quero
ao meu alcance
seus passos
não quero
sua face em minhas
palavras...
domingo, 2 de abril de 2017
alhures
abrem-se os dias
uns em meio a nuvens
outros a céu aberto
incertos os sóis
incertos os lençóis
incerta a lua
e esses varais
à espera de sinais
à espera de poesias
essas
que escondem-se
nas palavras nuas
as tuas...
uns em meio a nuvens
outros a céu aberto
incertos os sóis
incertos os lençóis
incerta a lua
e esses varais
à espera de sinais
à espera de poesias
essas
que escondem-se
nas palavras nuas
as tuas...
terça-feira, 28 de março de 2017
segunda-feira, 27 de março de 2017
tara
tenho pensado
em chagas, em pragas
mais do que
em rosas
e se
a palavra, roço,
nela, desperto
amores torpes
esses
a medrar versos
a banir os terços
a dobrar joelhos
eu sei,
é essa sua ausência
a lembrar-me
dos desejos tortos...
em chagas, em pragas
mais do que
em rosas
e se
a palavra, roço,
nela, desperto
amores torpes
esses
a medrar versos
a banir os terços
a dobrar joelhos
eu sei,
é essa sua ausência
a lembrar-me
dos desejos tortos...
quarta-feira, 15 de março de 2017
cárceres
talvez
eu quebre
os pratos
sem
juntar dos olhos
os cacos
sem
dar nós
aos tratos
sem
bordar dos panos
os fiapos
ah,
esses meus
desejos
desejo
de facas sobre
as cascas
desejo
de pactos
sob cascos
e
mais
nada...
domingo, 26 de fevereiro de 2017
ofício
de novas datas
de novas poesias
novos sóis
novas luas
trago comigo
velhos umbigos
velhos detritos
velhos costumes
são esses olhos
ainda endurecidos
como se fossem pães
ao tempo esquecidos
são esses pés
ausentes. seviciados
em fantasmas
dia a dia, paridos...
de novas poesias
novos sóis
novas luas
trago comigo
velhos umbigos
velhos detritos
velhos costumes
são esses olhos
ainda endurecidos
como se fossem pães
ao tempo esquecidos
são esses pés
ausentes. seviciados
em fantasmas
dia a dia, paridos...
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
tramas
o canivete
na carne
os olhos
derramados
no chão
eram tantos
os sentidos
eram tantos
os paraísos
perdidos
a dor?
era só
um presente,
lapsos
da morte
ápices
de vidas
na carne
os olhos
derramados
no chão
eram tantos
os sentidos
eram tantos
os paraísos
perdidos
a dor?
era só
um presente,
lapsos
da morte
ápices
de vidas
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
da pele
há dias
que das palavras
sou engasgo
sou embolia
sou infarto
em outros
sou vômito
sou espasmos
sou arrepio
sou orgasmo...
que das palavras
sou engasgo
sou embolia
sou infarto
em outros
sou vômito
sou espasmos
sou arrepio
sou orgasmo...
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