domingo, 4 de junho de 2017

indo...

reviram-se nas camas
domingos de mal humor

quem dera fosse segunda
quem dera a malfada rotina

qualquer coisa a cobrir de fumaça
o vazio das horas, a dor dos olhos

qualquer coisa que liberte
os ossos, as palavras, os pássaros

mas é domingo, ainda

sábado, 3 de junho de 2017

dossiê

piegas
esses versos
insones, insonsos
insistem
a ladrar fome
a pedir colo
a sujar vestes

como se
imberbes fossem
e nunca em fossas
em sarjetas
de muletas
de rugas e ossos
também, não vivessem...

terça-feira, 30 de maio de 2017

in vitro...

depois
da lua e
das estrelas,
a madrugada
em carne
crua e viva

sem venda
nos olhos
sem a luz
das pontes
sem mariposas
nos postes

insone
a intuir vozes
buzinando
nos ouvidos
dos sonhos:
vísceras...

segunda-feira, 29 de maio de 2017

lúdico

em tardes
de cinzas
longe do túmulo
quando meus pés
volitam

ardem
em meus olhos
a textura
e tecitura
das nuvens

queria eu
um corpo de palavras
carne e ossos
de imagens
e metáforas

longe
bem longe
do concreto
que cega e castra
meus absurdos...

sábado, 27 de maio de 2017

mágoas

ainda outono,
pelas janelas do tempo
as águas de março
não acabam

não acabam...

o mesmo outono,
dono das chaves
dono das claves
chora

e chora

quarta-feira, 24 de maio de 2017

e só...

não quero
estrelas e
sonhos

quero
o travesseiro
e o sono

deixar o corpo
apagar-se livre de
alheias fomes

além
do que é
nome

além
do que é
posse

outonar-me
em voo
solo

domingo, 21 de maio de 2017

peco

há dejetos
de mim

nas esquinas
dos pretéritos

na saliva
dos espectros

e ainda assim
há um pedaço do fim

a dizer ao que fui
sim, sim, sim

e fluo...

sexta-feira, 19 de maio de 2017

ruínas

em dia
de faxina

nem a prosa
nem a poesia

livram-se dos ralos
e da cova fria

segunda-feira, 15 de maio de 2017

das certezas

e o vento não levou
e a chuva não lavou
o quê o tempo
tão bem tatuou

os meses, as horas
caem, passam, riem, choram
sem enterrarem os dias
em que teu nome mora

são cruéis esses úteros
a parirem tuas faces
psicoticamente num enlevo
de quem luas, engolem

e cobrem de feridas
carne e alma que mentem
ter esquecido teus olhos
presos de remorso

num átimo de morte

tese


noites ( e dias )
em que qualquer
salto é
parto

peripécias
de belas e
pedras,
príncipes
e cacos

tecituras
de quem
voa sem naves
num mergulho
sem asas

e ainda
verde, tenro
teso, tenso,
feto, suicida-se
... nasce...