talvez
eu quebre
os pratos
sem
juntar dos olhos
os cacos
sem
dar nós
aos tratos
sem
bordar dos panos
os fiapos
ah,
esses meus
desejos
desejo
de facas sobre
as cascas
desejo
de pactos
sob cascos
e
mais
nada...
de novas datas
de novas poesias
novos sóis
novas luas
trago comigo
velhos umbigos
velhos detritos
velhos costumes
são esses olhos
ainda endurecidos
como se fossem pães
ao tempo esquecidos
são esses pés
ausentes. seviciados
em fantasmas
dia a dia, paridos...
o canivete
na carne
os olhos
derramados
no chão
eram tantos
os sentidos
eram tantos
os paraísos
perdidos
a dor?
era só
um presente,
lapsos
da morte
ápices
de vidas
há dias
que das palavras
sou engasgo
sou embolia
sou infarto
em outros
sou vômito
sou espasmos
sou arrepio
sou orgasmo...
do frio
fora de hora
sinto as penas
dos dias sem
horas
o arrepio
dos meio-fios
sem solas
sinto a dor
da labareda
sem o fogo
a solidão
da gema sem
o ovo...
tal qual verme
vem o verso que a pele
espreme, profere
e geme...
tal qual espinho
vem a poesia que a carne
ingere, digere
e expele
passou do meio dia
e o poema e a poesia
de fome, piam
expiam
um tanto peço
um pedaço das
tuas asas
um outro tanto
peço um voo nas tuas
palavras
e peco
por não ser minha
a tua morada
e peco
por não ser tua
a minha poesia...
e vem
o tempo
indolente
e de armas
nos dentes
e tudo que sinto
é essa preguiça
de mim, de você
do que fui e
não quero ser
o quê empurra
o passado ladeira
abaixo
são esses
sapatos ainda
não calçados
são esses
silêncios nos olhos
tatuados