quinta-feira, 29 de setembro de 2016

dolo

por um momento
foi corpo, alma
e gozo

depois...
desejou
outro poema

juntou as tralhas
a saliva , as palavras
levantou voo

fez-se
aborto

sábado, 10 de setembro de 2016

entre tantos...

tenho
em mim
tantos cansaços...

eu tento
juro que tento
afugentá-los

mas, uns encontram-me
e em outros eu mesma
encaixo-me

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

será?

a lastro
a rastro
no lustre
no lume
na lua

pensamentos
imagens, estilhaços
feito linha, botão
tecidos, rendas
e agulhas

alinhavo
rasgo, corto
costuro,
escavo
abotoo

há quem diga
que são entrelinhas
metáforas, palavras
com ou sem rimas
poemas, poesias...

sábado, 3 de setembro de 2016

costume

quando
despertenço-me
de longe vejo
meus óculos
meu ópio...

sei
onde
erro o berro
e dos tropeços
em sarjetas

mas
de lá eu volto
à cata dos mesmos
vícios e olhos
e perco-me...

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

reflexo

tantos espelhos
e nenhum deles
me condiz

procuro e procuro
não encontro neles
minhas pústulas

nem nas rusgas
nem nas rugas
nem nas fugas

e elas existem
ainda que nos fósseis
de minhas cicatrizes

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

desgosto

agosto
despede-se
sem voos

marcado
feito gado
no pasto

com
cheiro e gosto
de podre

mas há
sempre há
quem goste

e goze...

tara

a palavra
que a boca
cala

é faca
que a carne
talha...

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

era

gosto de fragmentos
esses pinçados na saliva
do tempo

cacos, pedaços
de vidas inteiras
em ilhas alheias

e, se,
não me faço concreta
à colheita desses farelos

contento-me
a viver de letra em letra
de verso em verso

um barco à deriva
longe, bem longe do cais
das esperas...

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

labirinto

quem sou
quem tu és

ao sabor do tempo
perdidos em templos

palavras e grafias
máscaras e metáforas

fôssemos flores
fôssemos facas

nosso encontro
é e seria, ainda,

na poesia...

terça-feira, 2 de agosto de 2016

aspirações

há tempos
não me faltavam
os pulmões

estranha sensação
fumaça sem ser vista
nublando peito e coração

pulsam-me as têmporas
reclamando a falta de
oxigênio

ah, como a carne
é fraca, tênue e
ingênua....

qualquer lapso
qualquer caco
( na garganta ou fora )

e lá estaremos nós
essencialmente pó
derramados ao chão...