quinta-feira, 28 de julho de 2016

aos céus


fosse manhã
fosse tarde

era um tudo
a transpirar navalhas

aquele desejo
de abrir a carne

e alçar voo
em busca de asas...

quinta-feira, 21 de julho de 2016

espasmos

entre tantos analgésicos
ri a dor de cabeça erguida
faz pouco e como faz
de minhas velhas feridas

e esse purgar de ais
não ultrapassa os sinais
ovelha obediente, cabisbaixa,
segue sangrando em silêncio

quem dera um pontapé
na boca aberta desses anzóis
que insiste em abrir da carne
antigas e estimadas cicatrizes...

de resto é aquele cansaço
esperar no amanhã, a paz
quando a dor enjoada da caça
deite e adormeça ao meu lado....

sexta-feira, 15 de julho de 2016

domingo, 10 de julho de 2016

desperta

todas as manhãs
ao abrir os olhos

arrebento o útero
dos meus sonhos

e em vigília
aborto-me...

terça-feira, 5 de julho de 2016

das preces...

suspensos, os ais,
aguardam dos olhos
um sinal de paz

qualquer lágrima
que destranque da alma
as asas das cicatrizes

crucificada, a palavra,
espera na carne do dia
salmouras ou entrelinhas...

qualquer pacto
que desfigure da face
a não dita poesia

sábado, 2 de julho de 2016

escombros



esse
não gostar

esse
não querer

entre alinhavos e blues
por mim sacramentados

debocham
e traem-me nas palavras

quando a poesia
escavo...

quinta-feira, 30 de junho de 2016

quarta-feira, 22 de junho de 2016

espectros


hoje não há
hoje não foi
hoje não flor

só mais um dia
para rodapés, sarjetas
credos e dejetos

e que dobrem os joelhos
os abençoados que ainda
os tiverem em carne viva

e que ergam os olhos
àqueles que ainda tem asas
do lado de fora das amarras...

terça-feira, 21 de junho de 2016

fuga

há tempos
venho me transformando
no que fui...

sem saber
onde estou e
quem sou

fluo...

terça-feira, 7 de junho de 2016

caos


de que me valem
feridas que de bocas
abertas gritam
se nelas não tenho
abrigo

e de frio morrem
minhas cicatrizes

de que me vale
um cálice de
palavras frias
se dele,
sangue e alma
foram proscritos

e de sede morre
minha poesia...