entre tantos analgésicos
ri a dor de cabeça erguida
faz pouco e como faz
de minhas velhas feridas
e esse purgar de ais
não ultrapassa os sinais
ovelha obediente, cabisbaixa,
segue sangrando em silêncio
quem dera um pontapé
na boca aberta desses anzóis
que insiste em abrir da carne
antigas e estimadas cicatrizes...
de resto é aquele cansaço
esperar no amanhã, a paz
quando a dor enjoada da caça
deite e adormeça ao meu lado....
quinta-feira, 21 de julho de 2016
sexta-feira, 15 de julho de 2016
domingo, 10 de julho de 2016
desperta
todas as manhãs
ao abrir os olhos
arrebento o útero
dos meus sonhos
e em vigília
aborto-me...
ao abrir os olhos
arrebento o útero
dos meus sonhos
e em vigília
aborto-me...
terça-feira, 5 de julho de 2016
das preces...
suspensos, os ais,
aguardam dos olhos
um sinal de paz
qualquer lágrima
que destranque da alma
as asas das cicatrizes
crucificada, a palavra,
espera na carne do dia
salmouras ou entrelinhas...
qualquer pacto
que desfigure da face
a não dita poesia
aguardam dos olhos
um sinal de paz
qualquer lágrima
que destranque da alma
as asas das cicatrizes
crucificada, a palavra,
espera na carne do dia
salmouras ou entrelinhas...
qualquer pacto
que desfigure da face
a não dita poesia
sábado, 2 de julho de 2016
escombros
esse
não gostar
esse
não querer
entre alinhavos e blues
por mim sacramentados
debocham
e traem-me nas palavras
quando a poesia
escavo...
quinta-feira, 30 de junho de 2016
quarta-feira, 22 de junho de 2016
espectros
hoje não há
hoje não foi
hoje não flor
só mais um dia
para rodapés, sarjetas
credos e dejetos
e que dobrem os joelhos
os abençoados que ainda
os tiverem em carne viva
e que ergam os olhos
àqueles que ainda tem asas
do lado de fora das amarras...
terça-feira, 21 de junho de 2016
terça-feira, 7 de junho de 2016
caos
de que me valem
feridas que de bocas
abertas gritam
se nelas não tenho
abrigo
e de frio morrem
minhas cicatrizes
de que me vale
um cálice de
palavras frias
se dele,
sangue e alma
foram proscritos
e de sede morre
minha poesia...
quinta-feira, 2 de junho de 2016
carma
pensava que tudo sabia
fazia voltas e mais voltas
ao redor do próprio
umbigo
de olhos que não
conheciam dos céus
a beleza do escuro vinil
só estrelas febris, servis
pobre coitado...
soldado de lutas rasas
marchava e marchava
fugindo do nada
nem a si mesmo
encontrava...
fazia voltas e mais voltas
ao redor do próprio
umbigo
de olhos que não
conheciam dos céus
a beleza do escuro vinil
só estrelas febris, servis
pobre coitado...
soldado de lutas rasas
marchava e marchava
fugindo do nada
nem a si mesmo
encontrava...
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