terça-feira, 7 de junho de 2016

caos


de que me valem
feridas que de bocas
abertas gritam
se nelas não tenho
abrigo

e de frio morrem
minhas cicatrizes

de que me vale
um cálice de
palavras frias
se dele,
sangue e alma
foram proscritos

e de sede morre
minha poesia...

quinta-feira, 2 de junho de 2016

carma

pensava que tudo sabia
fazia voltas e mais voltas
ao redor do próprio
umbigo

de olhos que não
conheciam dos céus
a beleza do escuro vinil
só estrelas febris, servis

pobre coitado...
soldado de lutas rasas
marchava e marchava
fugindo do nada

nem a si mesmo
encontrava...

terça-feira, 31 de maio de 2016

presente...

e esses
silêncios
tatuados
no tempo

plantam
no vazio
das horas
ausências

e não dizem
o que querem
e o que sentem,
mentem...

segunda-feira, 30 de maio de 2016

ora...

quem dera
parasse
o tempo
como
param
os relógios

e acertar
os ponteiros
fosse apenas
um questão
de pilhas ou
de corda...

quarta-feira, 25 de maio de 2016

benesses...


tenho
em mim
tantas marias

dia a dia
rezo por
suas crias

e peço
às suas aves
poesia...

quarta-feira, 18 de maio de 2016

desperdícios...


preciso de foco
para apagar as luzes
desses meus fossos

não há sentido
na letra que mira
olhos que mirram

se é para ser morte
que seja lúdica e
limpa

e  traga-me
no frio da lápide
um fiapo de vida...

terça-feira, 26 de abril de 2016

desditas...

hoje deixei
que me cutucassem
as feridas

e lá
por debaixo
das cascas

em meio
aos analgésicos
e a poesia

estavam
teus olhos
ainda...

sexta-feira, 22 de abril de 2016

dantes

sem pilares
no presente
minha alma
à deriva anda

é um vai e não volta
em poesias inconscientes
em verbos pretéritos
em palavras ausentes

vago e vago
entre andaimes de versos
e em um nada tão longe
mostra-me o vácuo...

se tudo é espectro
ao toque da saudade
por que não perdem-se
tantas e tantas imagens?

quinta-feira, 14 de abril de 2016

meadas

sem paciência
para cabelos
e espelhos

quero mais
a ausência
do medo...

dane-se o reflexo
dane-se a autodefesa

não nutro piedade
com olhos que buscam
corpos inteiros...

há tempos
sou de mim
um meio...

terça-feira, 12 de abril de 2016

silêncios...

são tantos olhares
no caminho das
palavras

um que tanto
me diz sobre
almas e carne

outro que insiste
na dicotomia entre
prosa e poesia

e um que crava
na pétala em branco
o fio da espera

e cala-me...