sexta-feira, 25 de março de 2016

sina...

meu deus
como é triste
a palavra
que não
foi dita...

aquela
por debaixo
da língua
ou atrás
das cortinas

tudo
o que queria
era uma vitrine
exibir alma e ossos
e dizer:
eu  existo...

quarta-feira, 23 de março de 2016

ciente...

já não era
sem tempo
chegou tarde
mas mostrou
as veias e
a que veio

nem óculos
nem meios termos
sem telhados de vidro
sem rímel, batom
ou palavras
ao dente

o bom
e velho silêncio
só ele (e eu)
no meio da sala
sem medo
das esperas e
dos espelhos...

terça-feira, 22 de março de 2016

cardápio...

e, se...
me permitirem
prefiro assim
um gole de poesia
para amaciar
a tenra carne
do dia à dia...

quinta-feira, 10 de março de 2016

descaminhos...


carrego para a viagem
um bocado de poesias
mártires, prostitutas
santas, psicopatas

e no retrovisor
de minhas entrelinhas
vejo delas, os gritos
gozos, sangue e lascas

quando bate o cansaço
apeio minhas palavras
estico dos olhos, os ossos
à beira das metáforas...

nesses silêncios
nesses abrigos,
de minhas crias
faço-me filha...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

simples...

tantos hifens
tantos ínterins

entre meu ir
e teu vir

fico assim
com preguiça

de você
e de mim...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

insano



além do que é corpo
eis que não é morto
esse desejo louco de provar
o que não é pouco...

fosse acariciar
nas pontas dos pés
um lençol de folhas secas
que invernam inteiras

fosse beijar
num vai e vem de ruas
a boca aberta e oferecida
nas sarjetas das luas

muito além da carne
eis o que é gozo
tantos anjos sem asas
a versejar o que é voo...

domingo, 17 de janeiro de 2016

imagens...


ah,
e se a poesia
me reflete, dela
eu sou reflexo.

um jogo
no escuro, de tato,
cheiro, pedras, fel,
açúcar e pele.

um caso
de amor e ódio
entre minhas folhas
não tão brancas
e meus poros...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

enchentes

tenho urgências
que não me cabem

essas que gotejam
em palavras

feito água
de torneiras espanadas

inundando  todos
os cômodos da casa...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

senhas


fico aqui
protelando
teus blues

esses
que atiçam-me
contra o muro

e lembro-me
nem os nossos
signos combinam

escondida
entre  janelas
vermelhas

pergunto-me
até quando te negarei
minhas letras...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

vácuo...

o copo
a capa
o corpo

o gole
a gola
a faca

o corte
as asas
o voo

o nada...