domingo, 17 de janeiro de 2016

imagens...


ah,
e se a poesia
me reflete, dela
eu sou reflexo.

um jogo
no escuro, de tato,
cheiro, pedras, fel,
açúcar e pele.

um caso
de amor e ódio
entre minhas folhas
não tão brancas
e meus poros...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

enchentes

tenho urgências
que não me cabem

essas que gotejam
em palavras

feito água
de torneiras espanadas

inundando  todos
os cômodos da casa...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

senhas


fico aqui
protelando
teus blues

esses
que atiçam-me
contra o muro

e lembro-me
nem os nossos
signos combinam

escondida
entre  janelas
vermelhas

pergunto-me
até quando te negarei
minhas letras...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

vácuo...

o copo
a capa
o corpo

o gole
a gola
a faca

o corte
as asas
o voo

o nada...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

e...

se
meu colo
quiseres

penses
que nele carrego
outros quereres

são olhos,
mãos, corpos
de poucos dizeres...

domingo, 3 de janeiro de 2016

da alma


às vezes
sou apenas
dor

em outras
sou apenas
carne

e há dias
em que sou  noites
sem manhãs e tardes

e vago...

sábado, 12 de dezembro de 2015

medo

dos quereres
que apavoram-me

vejo andrajos
vejo as solas

ouço culpas
ouço dúvidas

mas não tenho
pra eles, palavras...

e fujo...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

ao meio...


já não sei
se dos meus voos
só enxergo
os joelhos

aqueles
que do chão
lambem
os beijos

ou
se cega
dos céus
toco espelhos

aqueles
que em cacos
cortam-me
as veias...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

sombras

entre
o travesseiro
e os sonhos

noites
tão longas

e um "eu"
esgueirando-se
entre escombros...

domingo, 29 de novembro de 2015

thánatos...


ontem celebrei minha morte
não poupei meu corpo das dores
nem minha alma dos seus temores

não houve de minha parte
acordo ou ombros para lamurias
escarnio o meu, sem meias luas

era minha a morte, só minha
e dela e com ela não fiz acordos
fechei os olhos meus, sem remorsos...

e como não fosse dia ou noite
o sol entre as nuvens não pôs-se
não nasceu e fez-se foice

ah, quanta inocência
na carne a gemer por clemência
e eu tão dona de mim, a rir e rir...

a ir e ir...