sexta-feira, 13 de novembro de 2015

inverso



tudo tão indigesto
as vestes, os gestos
a pele

não tenho mais pratos
para aparar do meu vomito
as arestas

deixo para os versos
meus restos

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

se...

não sei
se desdigo
o que eu disse

não sei
se quero
o que eu quis

não sei
se minha poesia
é ferida ou cicatriz...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

colheita



não tenha pressa
de beijar minhas flores

mas se demorar
mais um pouco

fecho meus olhos
e arranco delas

a alma
as cores...

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

casta

há dias
em que as palavras
são de mim, cascas,

em outros
exibem sem piedade
minha carcaça

e eu
calo-me...

terça-feira, 3 de novembro de 2015

verbo


em princípio era sonho
hálito de um desejo mudo
encarcerado entre rascunhos

e não fosse ferro e fogo
ferindo minha pele e poros
não ouviria teus apelos

amassaria teu rosto
tuas palavras, teu gosto
deixaria teus olhos, de molho...

mas, teimoso
em minhas insônias
criou estrelas e raízes

e na contra-mão
de todos os meus nãos
roubou-me o silêncio


e  faz-se poesia...


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

retrato

dos vestidos
que jamais ousei

trago os trapos
do quem sabe

das sandálias
que não sonhei

trago os pés
presos em caixas...

tudo bem
não foi nada

nunca é...

terça-feira, 27 de outubro de 2015

ah...

e esse
desassossego
teima e teima
em tecer teias

um querer construir
pontes de letras
entre minha saudade
e tuas veias...

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

inquieta

sem saber-se fases
exibe num só dia
todas as faces
da lua....

sem saber-se tato
sente nas meninas dos olhos
todos os sentidos
do grito

sem saber-se música
arranca dos silêncios
mil e um gemidos...

domingo, 25 de outubro de 2015

sábado, 24 de outubro de 2015