quinta-feira, 22 de outubro de 2015

V


meu bem
nao engane-se
com a quinta

essa que traz
por debaixo das unhas
tantas quartas em cinzas

os ares
de boa moça
não lhe condizem

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

achante...

e quando escrever
nada mais e nada menos
é ruminar antigas pílulas
e um escavar ruínas

um sabor
de suco gástrico
tão mal salivado e passado
no hálito das palavras

e essa ânsia
que os versos lavem e levem
entre os esgotos, o gosto,
dos desgostos

(covardia, a minha,
dar tal sina
à poesia... )

sábado, 17 de outubro de 2015

máculas


não é
de bom tom
de boa água
arrastar asas

corpos e olhos
pedem êxodos e voos
ainda que manchem
o chão...

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

máscaras...


há metáforas
em minhas sentenças e fases,
necessito e chamo por elas
como minha sede tem fome
de água...

fossem apenas palavras
estaria eu a dizer o óbvio
ou a gritar meu literal destino
exibir meus medos e erros
sem usar de cascas...

fosse eu mais prosa
e mais rosa, menos espinho
menos poesia, mais concreta
e menos abstrata, estaria eu
mutilada, sem asas...

terça-feira, 13 de outubro de 2015

fetiche


amava
das palavras
aquele dorso
sempre pronto
às cavalgadas

o jeito maroto
corcoveando
desejando a doma
o gume e a goma
da ponta do lápis...

sábado, 10 de outubro de 2015

juras

dizem:

"na saúde
e na doença

na riqueza
e na pobreza

na alegria
e na tristeza"

e eu quero

nas palavras
e no silêncio....

terça-feira, 6 de outubro de 2015

sábado, 3 de outubro de 2015

desejos



e a poesia
um tanto desmedida
escoa pelas torneiras
dos dedos

há quem queira
botar-lhe cabresto
há quem queira
dobrar-lhe os joelhos...

e ela, tão fêmea
só quer e precisa
dar vazão ao seu cio
num lençol de letras...

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

ausências...

quando
a saudade
visita-me

ofereço-lhe
minha sede
e um carinho

ela em troca
dá-me olhos
de poesia

terça-feira, 29 de setembro de 2015

ladainha



espessa
contorce-se em terços
a terça

a moça
depois da segunda
não veio a passeio...