terça-feira, 18 de agosto de 2015

inércia...


tenho comigo
dores de um umbigo
que teima e teima
não ter nascido

qualquer passo
de balet ou em falso
rasga-me pele e carne
em volta de minhas fibras

em útero materno
tenho fome e gana
de devolver minhas
gastas raízes...

mas inerte
tal qual um marionete
e como um estéril verso
deixo para outros, meus fios

minhas rimas...


domingo, 16 de agosto de 2015

escusa

entre  nuvens
espera ansiosamente
acender-se,  a lua

e eu, entre luzes
escureço a sete chaves
meus absurdos...

mas com eles
não mais luto

e deles
não mais fujo

abuso...

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

lonjuras....


no vai e vem
das páginas

o cansaço
das pálpebras

e de outros olhos
a falta

dos teus...

terça-feira, 11 de agosto de 2015

hein?


e se eu quiser
ir além, bem além
você vem?

se eu afiar
palavras ou criar
delas as larvas

se ao sol
lamber o gume
das metáforas

e ao relento
cultivar o hálito
das entrelinhas

se eu chafurdar
em brancas folhas
e tirar delas, o limo

e suicidar-me
entre vocábulos
e rimas...

você vem?

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

desditas

nos lábios, o carmim,
dos  tantos caminhos
e um gosto de bilis
no riso ainda vivo

um sempre sem asas
um nunca tão sádico
numa carcaça muda
e sem vestidos

precisa mais?

cacos


quisera
ter nascido
em dia
de lua cheia
e vadia...

esquecer
a louça na pia
e a falta de
esmalte
nas unhas

mas
devo ter
minguado
um par de
fases

dos copos
e dos pratos
levo jeito
para lavar
os halos

e juntar
os pedaços...

sábado, 8 de agosto de 2015

urgências...

escrevo como se...
parte de mim em letras
escorresse

e se
me perguntam qual delas,
se olhos, mãos ou garganta

respondo
aquela que de mim
esconde-se...

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

que maldade...


cortaria
dos pulsos
os nó cegos
dos muros...

e com
o sangue
abriria  as veias
do absurdo...


para ouvir
da poesia
os urros...

vendas


de mal
com a poesia

quatro paredes
e um destino

não ler das estrelas
e da lua, a bula...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Guerra e Paz


Há alguns anos li Guerra e Paz de Leon Tolstoi. Numa era onde não havia internete, celulares, tabletes e similares. A leitura para mim sempre foi algo prazeroso e não um antídoto para o tédio. Ler era a prioridade e não opção.

Com o decorrer dos anos, a rotina, os dias, os problemas, infelizmente o tempo dedicado à leitura foi diminuindo. Hoje tenho me policiado. Menos internete, menos tempo gasto com coisas ou pessoas que não me interessam me renderam horas e horas onde posso deitar e descansar meus olhos ao lado de autores como Leon Tolstoi e outros.

Por que hoje paro para escrever sobre Guerra e Paz? Por que hoje ao invés de dedicar parte do minha noite às poesias ou à leitura, coçam-me os dedos desejosos de discorrer sobre um mundo existente entre páginas e mais páginas? Pelo encantamento em que me encontro na releitura desse magnífico livro e pelas considerações que me obriguei a fazer sobre o tempo, os passatempos e a perda de tempo...

Quanto ao livro, a edição que possuo é  dividida em quatro volumes. Talvez tenha sido esse um dos melhores presente que já me deram. Grata surpresa, já que veio o presente de um sobrinho.

De minha primeira leitura guardava lembranças da neve, das personagens, dos nomes, dos conflitos humanos em uma época que me parecia remota e hoje me parece mais remota ainda. E mesmo que trate o livro de um tema como a guerra, há nele algo de mágico. Talvez esteja no talento do mestre Tolstoi prender seus leitores através de fios invisíveis, ora manipulando a ingenuidade de suas personagens, ora escancarando seu lado vil em meio a um cenário que oscila entre os campos de guerra e casarões e salões de uma Russia em transformação.

Enquanto não findo sua releitura, pairo assim entre dois mundos.  O de Tolstoi e o real. E isso me leva a pensar em Pedro, em Natasha, em Nicolau, em Sonia, André, em Napoleão, em Alexandre, em imperadores, em condes, em príncipes, em hussardos, cossacos... E o mundo virtual toma assim sua devida proporção. Escrever sim, ler sim na web, mas dentro do que eu me proponho e não do que me propõe a web.

Guerra por guerra, sou mais Leon Tolstoi, a guerra de egos que permeia as conexões e contatos do mundo virtual não me desperta interesse. Nessa não encontro o outro lado da moeda, o da Paz.

É isso.