segunda-feira, 10 de agosto de 2015

cacos


quisera
ter nascido
em dia
de lua cheia
e vadia...

esquecer
a louça na pia
e a falta de
esmalte
nas unhas

mas
devo ter
minguado
um par de
fases

dos copos
e dos pratos
levo jeito
para lavar
os halos

e juntar
os pedaços...

sábado, 8 de agosto de 2015

urgências...

escrevo como se...
parte de mim em letras
escorresse

e se
me perguntam qual delas,
se olhos, mãos ou garganta

respondo
aquela que de mim
esconde-se...

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

que maldade...


cortaria
dos pulsos
os nó cegos
dos muros...

e com
o sangue
abriria  as veias
do absurdo...


para ouvir
da poesia
os urros...

vendas


de mal
com a poesia

quatro paredes
e um destino

não ler das estrelas
e da lua, a bula...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Guerra e Paz


Há alguns anos li Guerra e Paz de Leon Tolstoi. Numa era onde não havia internete, celulares, tabletes e similares. A leitura para mim sempre foi algo prazeroso e não um antídoto para o tédio. Ler era a prioridade e não opção.

Com o decorrer dos anos, a rotina, os dias, os problemas, infelizmente o tempo dedicado à leitura foi diminuindo. Hoje tenho me policiado. Menos internete, menos tempo gasto com coisas ou pessoas que não me interessam me renderam horas e horas onde posso deitar e descansar meus olhos ao lado de autores como Leon Tolstoi e outros.

Por que hoje paro para escrever sobre Guerra e Paz? Por que hoje ao invés de dedicar parte do minha noite às poesias ou à leitura, coçam-me os dedos desejosos de discorrer sobre um mundo existente entre páginas e mais páginas? Pelo encantamento em que me encontro na releitura desse magnífico livro e pelas considerações que me obriguei a fazer sobre o tempo, os passatempos e a perda de tempo...

Quanto ao livro, a edição que possuo é  dividida em quatro volumes. Talvez tenha sido esse um dos melhores presente que já me deram. Grata surpresa, já que veio o presente de um sobrinho.

De minha primeira leitura guardava lembranças da neve, das personagens, dos nomes, dos conflitos humanos em uma época que me parecia remota e hoje me parece mais remota ainda. E mesmo que trate o livro de um tema como a guerra, há nele algo de mágico. Talvez esteja no talento do mestre Tolstoi prender seus leitores através de fios invisíveis, ora manipulando a ingenuidade de suas personagens, ora escancarando seu lado vil em meio a um cenário que oscila entre os campos de guerra e casarões e salões de uma Russia em transformação.

Enquanto não findo sua releitura, pairo assim entre dois mundos.  O de Tolstoi e o real. E isso me leva a pensar em Pedro, em Natasha, em Nicolau, em Sonia, André, em Napoleão, em Alexandre, em imperadores, em condes, em príncipes, em hussardos, cossacos... E o mundo virtual toma assim sua devida proporção. Escrever sim, ler sim na web, mas dentro do que eu me proponho e não do que me propõe a web.

Guerra por guerra, sou mais Leon Tolstoi, a guerra de egos que permeia as conexões e contatos do mundo virtual não me desperta interesse. Nessa não encontro o outro lado da moeda, o da Paz.

É isso. 



tropeço


nem
sempre
o verso
nasce

às vezes
num
contratempo
é quase...

terça-feira, 4 de agosto de 2015

inúteis


tantas palavras
perderam o prazo
de validade

e hoje, verdes
cheias de mofo
e de ranço

sem meu colo
e sem teus olhos
não mais sangram

domingo, 2 de agosto de 2015

sombras

há de arder
entre os dentes
a palavra
semente

tímida
de ser ouvida
instigar-se
entre os dedos

fingir-se
um verso
um espectro
uma névoa

tocar-te
o arrepio, a pele
os nós
os pés

fazer-se
penumbra
penugem
nuvem...

envolver-te
sem que saibas
de onde vem
tuas vertigens

e amar-te
entre ais
em segredo
uma vez mais

sábado, 1 de agosto de 2015

parto

se queres partir
parta

parta
como filho escorrido
em meio às coxas
sem ser parido

se queres partir
parta

parta
como membro amputado
em meio às valas, sem nome
sem lápide

se queres partir
parta

parta
como um erro drenado
em meio às facadas
das palavras

gorjeta


e na sarjeta
no vai e vem
dos pés

caem
no chapéu
da poesia

mil e
uma letras...