terça-feira, 28 de julho de 2015

!

Onde andará minha prosa? Nos ralos dos vocábulos, nas celas das letras, nos catres das metáforas? Oh, céus, como sou repetitiva, teimo e teimo e deito-me com poemas. Como sou previsível, em versos criei raízes.

Lembro-me de um tempo de sol, de um tempo de solos, de um tempo de rosas tão azuis. Ou seria esse tempo dos olhos teus que eram mais jazz que blues? Ou seriam os olhos meus mais devotos da tuas heresias do que os teus  das minhas?
Ah, como fere o escuro que vêm sem avisos,  como ferem as covas que vêm transbordando escarnio... E ainda assim ou assado,  sou de mim a maior carrasca. Acho graça das minhas desgraças.

E digo e repito: Tudo passa, tudo pássaro, tudo asas... Palavra.
Verborragia... E cinicamente volto à poesia.

fugaz


porque
se  tudo é tão efêmero
ora choramos o espelho
ora rimos do vermelho

améns. aquéns, aléns
do lado de fora ou de dentro
unhas, cabelos, vento e borboletas
um tanto faz ou tanto fez...

e se nada faz sentido
nadamos contra a correnteza
ninando e beijando nossos medos
aqueles à espera de um remendo

ser pescador ou sereia
antídoto ou veneno
criança ou brinquedo
tudo é questão de tempo...

sexta-feira, 24 de julho de 2015

fragmentos

no espelho
dos meus óculos

tantas almas sem arestas
tantas mentes de joelhos

e a sensação de precisar
de novas lentes...

quarta-feira, 22 de julho de 2015

sábado, 18 de julho de 2015

destino


mãos homicidas
de poesia em poesia
matam a fome e a sede
de palavras suicidas

levantam as saias
abusam das metáforas
e ainda riem dos tolos
crentes em disfarces

não há de ser pouco
o instinto dos dedos
à procura de lâminas
na ponta do lápis

não  há de ser muito
o êxtase dos cortes
nas linhas das palmas
que drenam as almas

é sempre do bis
o açúcar e a bílis
no verso que repete-se
em busca da morte

e morre
mas volta...

cãs...

entre uma têmpora e outra
o tempo, o vento, o espanto...

o branco

não eram
meus cabelos castanhos?

quinta-feira, 16 de julho de 2015

?


o que fazer
com tantas mãos
com tantas letras

se falta
à folha branca
o sêmen

se faltam
aos olhos
um berço?

quarta-feira, 15 de julho de 2015

céus


ah, deuses
que pecado

um punhado de trancas
emaranhando tantas frases

um punhado de mentiras
castrando tantas asas

e a penitência
vem sem metáforas...

me



se são de lírios
hão de ser flores
que migram...

ou dores
que ao avesso
piscam

e tanto de si
dizem

terça-feira, 14 de julho de 2015

indiscreta


de leve
rocei do verso
a pele

e nem assim
ofereceu-me um leito
sem espelhos

serei eu
uma eterna voyeur
dos meus erros?