quinta-feira, 16 de julho de 2015

?


o que fazer
com tantas mãos
com tantas letras

se falta
à folha branca
o sêmen

se faltam
aos olhos
um berço?

quarta-feira, 15 de julho de 2015

céus


ah, deuses
que pecado

um punhado de trancas
emaranhando tantas frases

um punhado de mentiras
castrando tantas asas

e a penitência
vem sem metáforas...

me



se são de lírios
hão de ser flores
que migram...

ou dores
que ao avesso
piscam

e tanto de si
dizem

terça-feira, 14 de julho de 2015

indiscreta


de leve
rocei do verso
a pele

e nem assim
ofereceu-me um leito
sem espelhos

serei eu
uma eterna voyeur
dos meus erros?

segunda-feira, 13 de julho de 2015

das heresias...

ah, como cansa-me
o nonsense dos santos

sejam machos
sejam fêmeas

sejam cobras
sejam cabras

é um querer de rezas
é um querer de preces

uma mesma face
da moeda alheia, desejam

e a servidão humana
festejam...

de lua...


ausente,
respondi ao tempo

já não me visito
dispo-me dos sempres

e com nuncas
mascaro meu presente...

domingo, 12 de julho de 2015

execrações...

penso
em cortar os cabelos
tão curtos, tão curtos
que não reconheça-me
o espelho...

necessário seria
fitar-me nos olhos
virar-me do avesso
retirar meus cabrestos
e dos nomes os pesos

pender um pouco mais
à deriva, de esgueira
sem as guelras dos anseios
sem as roupas de esteio
só trapos e veias

e ao fim, despida de mim
despedir-me dos filtros
dos litros de verniz
arrancar sem medo
 minhas raízes...

sábado, 11 de julho de 2015

taras


tenho desejos insanos,
cortar silêncios ao meio

e esquartejar frases
presas na garganta


pra
ver
se
sangram...

sexta-feira, 10 de julho de 2015

dolo

tenho passos de sobra
e pés de tão gastas solas
que dos ossos, são apenas
sombras...

se há convites incertos
em caminhos apenas de olhos
há entre a alma e a carne
o desejo de asas abertas

e se não vou
e se não toco o solo
com o corpo que devora-me,
com as palavras voo

e sou pó
e sou sol
e sou lua

e sou dor
e sou flor
e sou nuvem

e outra vez voo
e sou da folha em branco
o sopro...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

abandono


acordou tão cedo o sol
e ela, a carne, esqueceu-se
estendida nos lençóis

pra que descer do sono
se nada há debaixo
da cama

nem bicho papão
nem dedos, nem anéis
nem papai noel

só um tapete
de esperas, sem flores,
e sem janelas...