quanto mais leio
mais medo tenho
medo do que não sei
medo do que acho que sei
medo de nunca
vir a saber
e pensar
que sei...
terça-feira, 12 de maio de 2015
sábado, 9 de maio de 2015
instinto...
se minhas mãos
não servem para o plantio
para a colheita maldita ou santa
do arroz ou do cipreste
não tem a lida da enxada
mordendo e procriando a terra
essa mulher, ora séria, ora prostituta
mãe, desejo e morte de tantos
que sejam úteis
ainda que tenham dúvidas
que sejam limpas
ainda que estejam sujas
se forem de poesia
ah, deuses, que iguaria
não desejo muito
só uns versos filhos
mas, se forem matriarcas
de famílias de gente ou de bicho
que sejam mais alma
do que dna e carne...
aconchego
uma faca
um espinho, um caco
de vidro... um grito...
e aquela dor
tão bem aninhada
na carne ainda viva
feito criança na barriga
um espinho, um caco
de vidro... um grito...
e aquela dor
tão bem aninhada
na carne ainda viva
feito criança na barriga
terça-feira, 5 de maio de 2015
sábado, 2 de maio de 2015
feto
o verbo
faz-se servo
entre o ventre
e o verso
e em silêncio
no útero das palavras
a poesia ganha
asas
terça-feira, 28 de abril de 2015
fake
tão fácil
a palavra
ser farta
tão fácil
a palavra
ser farpa
tão difícil
dela retirar
as máscaras
e encontrar
a verdadeira
face...
a palavra
ser farta
tão fácil
a palavra
ser farpa
tão difícil
dela retirar
as máscaras
e encontrar
a verdadeira
face...
sábado, 25 de abril de 2015
das maçãs...
era tarde
para subir
tantas
escadas
mais
um degrau
e chegaria
ao nada
quedou-se
do céu
ao inferno
das palavras
em tempo...
quinta-feira, 23 de abril de 2015
pacto
toda
palavra
carrega
um pecado
e mesmo
sem ser
santa, pura
e virgem
faz
da poesia
sua maria e
seu escapulário...
palavra
carrega
um pecado
e mesmo
sem ser
santa, pura
e virgem
faz
da poesia
sua maria e
seu escapulário...
terça-feira, 21 de abril de 2015
eco
envergonha-me
a letra, essa, a viver
de boca em boca
essa que num fio cru
e cego oferece-se, faz sexo
em troca de espelho
e de tão puro ego
de página em página
esmola olhos
exibi-se e é voyer
desnuda-se sem saber-se
se é luxo ou lixo
e cansa-me,
como cansa-me, tanto faz,
se outra ou minha...
a letra, essa, a viver
de boca em boca
essa que num fio cru
e cego oferece-se, faz sexo
em troca de espelho
e de tão puro ego
de página em página
esmola olhos
exibi-se e é voyer
desnuda-se sem saber-se
se é luxo ou lixo
e cansa-me,
como cansa-me, tanto faz,
se outra ou minha...
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