sábado, 9 de maio de 2015

aconchego

uma faca
um espinho, um caco
de vidro... um grito...

e aquela dor
tão bem aninhada
na carne ainda viva

feito criança na barriga


terça-feira, 5 de maio de 2015

rabiscos

abstenho-me
do poema

em fase
de versos anoréxicos

qualquer pingo
é letra...

sábado, 2 de maio de 2015

feto


o verbo
faz-se servo
entre o ventre
e o verso

e em silêncio
no útero das palavras
a poesia ganha
asas

terça-feira, 28 de abril de 2015

fake

tão fácil
a palavra
ser farta

tão fácil
a palavra
ser farpa

tão difícil
dela retirar
as máscaras

e encontrar
a verdadeira
face...

sábado, 25 de abril de 2015

das maçãs...


era tarde
para subir
tantas
escadas

mais
um degrau
e chegaria
ao nada

quedou-se
do céu
ao inferno
das palavras

em tempo...

quinta-feira, 23 de abril de 2015

pacto

toda
palavra
carrega
um pecado

e mesmo
sem ser
santa, pura
e virgem

faz
da poesia
sua maria e
seu escapulário...

terça-feira, 21 de abril de 2015

eco

envergonha-me
a letra, essa, a viver
de boca em boca

essa que num fio cru
e cego oferece-se, faz sexo
em troca de espelho

e de tão puro ego
de página  em página
esmola olhos

exibi-se e é voyer
desnuda-se sem saber-se
se é luxo ou lixo

e cansa-me,
como cansa-me, tanto faz,
se outra ou minha...

das máculas...


e quando
as membranas
das palavras
arrebentam

qualquer
par de olhos
é página
em branco

e sangra...

domingo, 19 de abril de 2015

lapsos..


e se tenho asas
ao invés de patas
não faço questão
do pouso no asfalto

quero mais e mais
a companhia das palavras
"sol, nuvens, lua, estrelas
e pássaros..."

mas se me faltarem
os astros, os céus, as galáxias
lançarei meu corpo e alma
abismo abaixo...

não quero nada
que não seja
absurdamente
abstrato...

quarta-feira, 15 de abril de 2015

pétalas...


eu aqui
aparando
arestas

quanto mais corto
mais entrelinhas
aparecem

seres hábeis, as palavras,
essas que entre pontos e frestas
dizem mais do que quero...