há sempre
um pedaço faminto
de mordidas alheias
sem medo
de arrancar a pele
e esfolar as células
o que fere
são as algemas, as grades
as celas,
e não as feras...
segunda-feira, 23 de março de 2015
sexta-feira, 20 de março de 2015
inutilmente...
e quantas
frases feitas
vazios enfeitam
pelas frestas
feito lagartixas
passeiam
num mero deleite
espicham-se fora das brechas
exibindo seus dentes
penduradas nos lustres
nas paredes, nas saias,
nas luzes
num esforço
de serem vistas
além de um clique...
e livrarem
olhos inertes de antigos
cabrestos...
terça-feira, 17 de março de 2015
ímpar
às vezes é no egoísmo
do casulo, de asas recolhidas
ao próprio útero sem feto
onde encontra-se a saída
se não pelos olhos
em líquido abortivo de idas
pelas mãos crispadas
e boca e lábios em nãos
o que importa o outro
se não admira em nós, o louco?
o que importa o outro
se não rói de nós, os ossos?
ah, melhor e melhor o vazio,
o abismo, o absinto, a estrecnina
germinar e morrer sem rimas...
do casulo, de asas recolhidas
ao próprio útero sem feto
onde encontra-se a saída
se não pelos olhos
em líquido abortivo de idas
pelas mãos crispadas
e boca e lábios em nãos
o que importa o outro
se não admira em nós, o louco?
o que importa o outro
se não rói de nós, os ossos?
ah, melhor e melhor o vazio,
o abismo, o absinto, a estrecnina
germinar e morrer sem rimas...
segunda-feira, 16 de março de 2015
help
em tempos
de instagram e facebook
à cada selfie no espelho
narciso é só sorriso
e nem vermelho
fica...
de instagram e facebook
à cada selfie no espelho
narciso é só sorriso
e nem vermelho
fica...
sexta-feira, 13 de março de 2015
abuso...
porque na poesia
encontrava, o perdão
e o crime
usava-a
antes e depois
de cara lavada
de cara pintada
em versos
cegos, em navalhas
póstumas
em carne viva
em cortes tantos
em feridas prontas
e sangrava
encontrava, o perdão
e o crime
usava-a
antes e depois
de cara lavada
de cara pintada
em versos
cegos, em navalhas
póstumas
em carne viva
em cortes tantos
em feridas prontas
e sangrava
segunda-feira, 9 de março de 2015
sábado, 7 de março de 2015
entrelinhas...
de todas
as sombras
a tua
não cala-se,
se aperto
o verso
se esmago
alhos
se finjo
ter palavras
está lá
está cá
agachado
por trás
das frestas
espichado
no tapete
da sala,
nos olhos
do gato
são
teus olhos
negros
suas mãos
em luva,
sua boca
em riste,
e a mesma
pergunta,
em stacato...
as sombras
a tua
não cala-se,
se aperto
o verso
se esmago
alhos
se finjo
ter palavras
está lá
está cá
agachado
por trás
das frestas
espichado
no tapete
da sala,
nos olhos
do gato
são
teus olhos
negros
suas mãos
em luva,
sua boca
em riste,
e a mesma
pergunta,
em stacato...
quinta-feira, 5 de março de 2015
retalhos...
tão meu esse vácuo
que nele para outros seres
não há espaço
tão fundo meu céu
que nele abortam-se e morrem
dos sonhos, os olhos
tão oca minha morada
que nela costuro e colho
as blasfêmias do meu epitáfio
tão frio o meu inferno
que nele estendo meus dedos
e incinero-os ao gelo
tão solitário o meu grito
que nele, letras e palavras
comem e bebem, raizes
quarta-feira, 4 de março de 2015
ingrato...
quando penso
que do poema
tenho a posse
rebelde, ele,
de mim, debocha
ri, foge...
em outras mãos
faz-se pureza e luxuria
dá-se ao uso
e goza...
segunda-feira, 2 de março de 2015
dos encaixes...
tateia a poesia
uma fuga
simples
complexa
em linha reta
em linha curva
côncava
convexa
escorre entre coxas
dobra os joelhos
e...
urra
uma fuga
simples
complexa
em linha reta
em linha curva
côncava
convexa
escorre entre coxas
dobra os joelhos
e...
urra
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