quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

asco

velhos ganchos
velhos garranchos

velhos escarros
velhos catarros...

cansaço
cansaço

não quero
castas e belas  palavras

quero arrancar línguas
de vermelhos semáforos

vomitar em olhos alheios
cínicas e vis metáforas


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

das luas...



num repente
sentia vertigens

eram pés demais
carregados de ferrugem

livrar-se deles
era questão de nuvens...

volitar rente aos céus
feito pipa sem fio de carretel

e uns olhos aluados
agarrando nuncas

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

reincidente

de uma prosa, eu gostaria,
mas enverga-me, os olhos
os ossos, a carne, a poesia

e  ao peso das letras
ora borboletas, ora açoites
ora dia, ora noite....

entre desejos
só vejo entre as palavras
o vício da sangria

e aos versos
de novo e de novo
oferto minhas veias...

domingo, 22 de fevereiro de 2015

40


andam confusos 
os ponteiros do domingo
aos olhos da menina

..............................

e no fim de tarde
um fio de melancolia
escurece o dia

...............................

sussurram marias
aos ouvidos dos passarinhos
a mesma ladainha


sábado, 21 de fevereiro de 2015

das chamas...


poeta...
ares de profeta
o dom de feridas
lamber

e ao tocar a carne
num sopro sem semblante
a alma, já sem nome, ou...
de mil nomes, estremecer

se já não era puro
se já não era jura
na poesia tem o caminho
o pecado, o perdão e o lume...

se já não era riso
se já não era juízo
na poesia é tão único
fogo, sonho e perigo...

( poeta,
de vestígio em vestígio
reze sua lenda, teça sua tenda
e olhos e mais olhos, a(s)cenda... )


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

devaneios...


das palavras

tenho as faces
tenho as facas

as taras
e a carne...

corto e crio

desosso
costuro, abrevio

aqui e ali
rimo, choro e rio

que arrepio

nem sei
se em tantos remendos

acho ou perco
teço ou esquartejo

poesias...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

das aves...



não findam
os trabalhos,
os pássaros

e vem o relógio
cobrar do crepúsculo
o atraso...

tardam as estrelas
tarda a noite
tarda a lua

é do verão
o descaso
o mormaço

o quente dos passos
a sede dos lábios
a pele em orvalho

piam
e piam
as árvores...

e mariam as asas...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

ferida

se não era  verbo
por que fez-se verso?

esse que cala-se
arrancando da poesia
o papel e a pele

e fere...

domingo, 8 de fevereiro de 2015

das fraquezas...

qual meu ponto final?
se tantas vezes jurei descer
e não mais voltar, e... volto
agarrada à velhas reticências

e essa falsa clemência
em rostos meus, em rostos outros
em palavras soltas, em frases ocas
num carrossel de sonâmbulos

quanta incoerência
quanta imprudência
quanta indulgência

tão fácil seria um fim
sem símbolos, sem ais de mim
mas indecentemente, digo: sim...

sábado, 7 de fevereiro de 2015

ensaio...

deslizo um rascunho
entre minha carne
e tua língua

se não sabes
onde escondem-se
minhas letras

se não sabes
onde terminam
minhas dúvidas

respondo:
ainda não somos
só um...