sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

devaneios...


das palavras

tenho as faces
tenho as facas

as taras
e a carne...

corto e crio

desosso
costuro, abrevio

aqui e ali
rimo, choro e rio

que arrepio

nem sei
se em tantos remendos

acho ou perco
teço ou esquartejo

poesias...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

das aves...



não findam
os trabalhos,
os pássaros

e vem o relógio
cobrar do crepúsculo
o atraso...

tardam as estrelas
tarda a noite
tarda a lua

é do verão
o descaso
o mormaço

o quente dos passos
a sede dos lábios
a pele em orvalho

piam
e piam
as árvores...

e mariam as asas...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

ferida

se não era  verbo
por que fez-se verso?

esse que cala-se
arrancando da poesia
o papel e a pele

e fere...

domingo, 8 de fevereiro de 2015

das fraquezas...

qual meu ponto final?
se tantas vezes jurei descer
e não mais voltar, e... volto
agarrada à velhas reticências

e essa falsa clemência
em rostos meus, em rostos outros
em palavras soltas, em frases ocas
num carrossel de sonâmbulos

quanta incoerência
quanta imprudência
quanta indulgência

tão fácil seria um fim
sem símbolos, sem ais de mim
mas indecentemente, digo: sim...

sábado, 7 de fevereiro de 2015

ensaio...

deslizo um rascunho
entre minha carne
e tua língua

se não sabes
onde escondem-se
minhas letras

se não sabes
onde terminam
minhas dúvidas

respondo:
ainda não somos
só um...

teias...


por onde
escorro
escrita

deixo
um rastro
de mim

cheiro bom
gosto ruim

mentiras
verdades

palavras feias
palavras bonitas

coisas assim...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

da inquietude...

há no fim da tarde
um anseio de ontem em vestes de hoje
um quase agora escavando horas
a ouvir, a desejar, o que não houve

e se dos olhos são os desejos
a caminharem num fio de horizonte
são das mãos, entrelinhas  e  poesia
presas  entre o crepúsculo e a noite

um tanto querer voltar atrás
um tanto querer domar o tempo
levando ao depois, ao segundo seguinte
o que não foi adiante, o que não foi sempre

e vem o nunca exibindo, luto,
e vem o pretérito vestindo lápide
de concreto, só letras e palavras
sobre a folha branca em lágrimas

das sombras...


como se não
bastassem os nadas

aparecem as esperas
vestidas de escuras anáguas

já foram malditas
já foram proscritas

e insistem

abrirem  suas bocas
além de meus folhetins

ai de mim...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

em círculos...


porque hoje
a preguiça
é minha...

não quero
dobrar
esquinas

tão pouco
quebrar os ossos
das cicatrizes

do meu umbigo
sou começo
meio e fim...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

né?

acho de um deboche
a palavra amor...

dela fujo
dela não faço uso

nem teço versos
nem caço metáforas

nem busco imagens
nem gravo fatos...

se é fel
se é mel

se é dor
se é sabor

se é vermelha
ou incolor

se é sexo
se é erro

se é foice
se é êxtase

tanto faz
tanto faz

não vale
letras e penas...

é tão e tão
efêmera...