sábado, 7 de fevereiro de 2015

teias...


por onde
escorro
escrita

deixo
um rastro
de mim

cheiro bom
gosto ruim

mentiras
verdades

palavras feias
palavras bonitas

coisas assim...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

da inquietude...

há no fim da tarde
um anseio de ontem em vestes de hoje
um quase agora escavando horas
a ouvir, a desejar, o que não houve

e se dos olhos são os desejos
a caminharem num fio de horizonte
são das mãos, entrelinhas  e  poesia
presas  entre o crepúsculo e a noite

um tanto querer voltar atrás
um tanto querer domar o tempo
levando ao depois, ao segundo seguinte
o que não foi adiante, o que não foi sempre

e vem o nunca exibindo, luto,
e vem o pretérito vestindo lápide
de concreto, só letras e palavras
sobre a folha branca em lágrimas

das sombras...


como se não
bastassem os nadas

aparecem as esperas
vestidas de escuras anáguas

já foram malditas
já foram proscritas

e insistem

abrirem  suas bocas
além de meus folhetins

ai de mim...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

em círculos...


porque hoje
a preguiça
é minha...

não quero
dobrar
esquinas

tão pouco
quebrar os ossos
das cicatrizes

do meu umbigo
sou começo
meio e fim...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

né?

acho de um deboche
a palavra amor...

dela fujo
dela não faço uso

nem teço versos
nem caço metáforas

nem busco imagens
nem gravo fatos...

se é fel
se é mel

se é dor
se é sabor

se é vermelha
ou incolor

se é sexo
se é erro

se é foice
se é êxtase

tanto faz
tanto faz

não vale
letras e penas...

é tão e tão
efêmera...


domingo, 1 de fevereiro de 2015

do limbo...

estende-se um abismo
insinuando o vazio de minha poesia
entre teus versos e meus ouvidos

silenciosamente e sem tua rima
despeço-me de páginas ainda virgens
despeço-me de promessas caídas

não há de ser nada
não há de ser lágrima
não mais e tanto faz...

se a solidão é minha
à ela dedico meu hoje e minhas palavras
à ela dedico ecos e metáforas

e ela, a solidão,
em agradecimento
abraça-me...

sem teto...


quando arregaço
dos olhos as moradas,
descem escada abaixo
litros e litros de água

e, um tanto descarnada
um tanto descascada
um tanto descamada

meio sem quarto
sem mesa, sem face
afogada no meio da sala
desocupo velhas casas...

dos voos...


passaria o tempo
cavalgando  palavras

encilhando o tudo
e o nada

e converteria o universo
em olhos alados

sábado, 31 de janeiro de 2015

das garras...

se tudo é cansaço
o que fazer com
tanto asco

fechar as portas
vedar as janelas
entupir as voltas?

um infarto
seria de bom grado
de mentira, claro...

qualquer coisa ou ato
que tirasse da pele e dos lábios
o ranço de velhos sapatos

um dane-se
um virar as costas
em letras gigantes

tal qual um gato
ignorando o rato
depois do abate...

flagelos...


que ânsia é essa
de sangrar em letras

fazer das palavras
uma boa e velha marreta?

que dor é essa
que veias atravessa

e pinga feito cera ( vermelha )
entre as pontas dos dedos?

há de ser poesia
ou a sede de suicídio?