há no fim da tarde
um anseio de ontem em vestes de hoje
um quase agora escavando horas
a ouvir, a desejar, o que não houve
e se dos olhos são os desejos
a caminharem num fio de horizonte
são das mãos, entrelinhas e poesia
presas entre o crepúsculo e a noite
um tanto querer voltar atrás
um tanto querer domar o tempo
levando ao depois, ao segundo seguinte
o que não foi adiante, o que não foi sempre
e vem o nunca exibindo, luto,
e vem o pretérito vestindo lápide
de concreto, só letras e palavras
sobre a folha branca em lágrimas