domingo, 1 de fevereiro de 2015

dos voos...


passaria o tempo
cavalgando  palavras

encilhando o tudo
e o nada

e converteria o universo
em olhos alados

sábado, 31 de janeiro de 2015

das garras...

se tudo é cansaço
o que fazer com
tanto asco

fechar as portas
vedar as janelas
entupir as voltas?

um infarto
seria de bom grado
de mentira, claro...

qualquer coisa ou ato
que tirasse da pele e dos lábios
o ranço de velhos sapatos

um dane-se
um virar as costas
em letras gigantes

tal qual um gato
ignorando o rato
depois do abate...

flagelos...


que ânsia é essa
de sangrar em letras

fazer das palavras
uma boa e velha marreta?

que dor é essa
que veias atravessa

e pinga feito cera ( vermelha )
entre as pontas dos dedos?

há de ser poesia
ou a sede de suicídio?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

ah... tempo...

um gosto
de tempo
salpica
os dedos

fragmentos
verdes
amarelos
vermelhos

um tudo
que passa
entre o ontem
e o hoje

um tudo
que voa
entre o nunca
e o sempre...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

das fases...


se visto-me
em lua

é escura
minha face nua

e nego-me
um meu, um tua

feito prostituta
feito cio na rua

desfaço-me
disfarço-me

e volto ao útero
pura...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

prece

sem saber
dos sonhos
o onde

amanhece
e anoitece

esfria
aquece

e uma amnésia
os olhos ilhados
esperam...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

que vício...


escrever, eu preciso
na rua, em casa, no chuveiro
ou na lata do lixo

essa ânsia de sair
voar entre flores e pedras
engatilhando versos

não quero ir além
não, não, não é isso
quero meu amém

encontrar de mim, a verve
fazer dormir meus vermes
em potes de crimes abertos

é isso que apetece-me
esse grito rouco no meio da faca
fugindo do sol e abrindo palavras

sangrar meus dedos
escavando letra à letra
valas e mais valas

desde que
não abram suas bocas
e não falem...

é no silêncio da carne
onde a tela branca
faz-se escrava

escrever é vício
que não se apaga
com sabão e lágrimas

escrever é êxtase
que não se acaba
em gemidos e água...

terços...


teço
tristezas
e tríades

teço
tantras
e tristuras

e, em tua tez
tremulam
tessituras ( minhas )

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

das águas


se nado em teus olhos
sou toda malemolência

sabes desse jogo
o trigo e o joio

entre meus mares e tua boca
quedam-se meus portos

e em tua língua
despejo minha essência...

domingo, 7 de dezembro de 2014

dos medos...


então é isso
finda mais um domingo...
e a carne finge sorrisos

e teme, como teme
ser vista nua e crua
na segunda...