se tudo é cansaço
o que fazer com
tanto asco
fechar as portas
vedar as janelas
entupir as voltas?
um infarto
seria de bom grado
de mentira, claro...
qualquer coisa ou ato
que tirasse da pele e dos lábios
o ranço de velhos sapatos
um dane-se
um virar as costas
em letras gigantes
tal qual um gato
ignorando o rato
depois do abate...
sábado, 31 de janeiro de 2015
flagelos...
que ânsia é essa
de sangrar em letras
fazer das palavras
uma boa e velha marreta?
que dor é essa
que veias atravessa
e pinga feito cera ( vermelha )
entre as pontas dos dedos?
há de ser poesia
ou a sede de suicídio?
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
ah... tempo...
um gosto
de tempo
salpica
os dedos
fragmentos
verdes
amarelos
vermelhos
um tudo
que passa
entre o ontem
e o hoje
um tudo
que voa
entre o nunca
e o sempre...
de tempo
salpica
os dedos
fragmentos
verdes
amarelos
vermelhos
um tudo
que passa
entre o ontem
e o hoje
um tudo
que voa
entre o nunca
e o sempre...
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
das fases...
se visto-me
em lua
é escura
minha face nua
e nego-me
um meu, um tua
feito prostituta
feito cio na rua
desfaço-me
disfarço-me
e volto ao útero
pura...
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
prece
sem saber
dos sonhos
o onde
amanhece
e anoitece
esfria
aquece
e uma amnésia
os olhos ilhados
esperam...
dos sonhos
o onde
amanhece
e anoitece
esfria
aquece
e uma amnésia
os olhos ilhados
esperam...
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
que vício...
escrever, eu preciso
na rua, em casa, no chuveiro
ou na lata do lixo
essa ânsia de sair
voar entre flores e pedras
engatilhando versos
não quero ir além
não, não, não é isso
quero meu amém
encontrar de mim, a verve
fazer dormir meus vermes
em potes de crimes abertos
é isso que apetece-me
esse grito rouco no meio da faca
fugindo do sol e abrindo palavras
sangrar meus dedos
escavando letra à letra
valas e mais valas
desde que
não abram suas bocas
e não falem...
é no silêncio da carne
onde a tela branca
faz-se escrava
escrever é vício
que não se apaga
com sabão e lágrimas
escrever é êxtase
que não se acaba
em gemidos e água...
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
das águas
se nado em teus olhos
sou toda malemolência
sabes desse jogo
o trigo e o joio
entre meus mares e tua boca
quedam-se meus portos
e em tua língua
despejo minha essência...
domingo, 7 de dezembro de 2014
dos medos...
então é isso
finda mais um domingo...
e a carne finge sorrisos
e teme, como teme
ser vista nua e crua
na segunda...
sábado, 6 de dezembro de 2014
nem sei...
sabe-se lá
se no limbo
existe a fala
ou se os pensamentos
em simples silêncios
casam-se
se há um espaço
onde os olhos, molham-se,
e acham-se
onde sobem
e descem as asas
no arfar das metáforas
sabe-se lá
se faz frio onde é quente
se faz-se quente onde é hábito
se a noite e o dia
lambem-se e bastam-se
entre o nunca e o sempre
se procuram-se os laços
entre sílabas sem rima
e ímpares
onde o êxtase
cala da boca
a palavra
e as almas
descartam do tempo
a carne...
sabe-se lá...
se no limbo
existe a fala
ou se os pensamentos
em simples silêncios
casam-se
se há um espaço
onde os olhos, molham-se,
e acham-se
onde sobem
e descem as asas
no arfar das metáforas
sabe-se lá
se faz frio onde é quente
se faz-se quente onde é hábito
se a noite e o dia
lambem-se e bastam-se
entre o nunca e o sempre
se procuram-se os laços
entre sílabas sem rima
e ímpares
onde o êxtase
cala da boca
a palavra
e as almas
descartam do tempo
a carne...
sabe-se lá...
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