sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
descarte
ando tão pobre
de navalhas
se me deparo
com uma
digo, boa noite
bom dia, boa tarde
não, elas
não sabem
tem fome delas
minha carne...
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
dos dizeres
não sei se em risos
disseram-me monalisa
ela que em tempo
fez-se em tez, um rito
ela que sem tempo
partiu ao meio, o gêmido
se eram em pecados
suas raízes
suas raízes
se eram sacrossantos
seus delitos
nada disse...
só sei, ou imagino que sei
da sua boca, o mito...
maçã...
rubra é a cor que te cobre
doce fruto suculento
seu aroma faz a oferenda,
a língua entre os lábios move-se,
salivante entre os dentes
em desejos contorce-se
sedenta, faminta, seduzida...
a boca se abre lentamente
lambisca, mordisca
a pele carmim
a carne macia
degusta
o néctar exalado,
cheiro e delírio
inalados,
saboreada
fruta do cio
ontem, hoje
amanhã, maçã...
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
sou
por quê tenho de viver
entre as frestas das janelas
se não sou das entrelinhas
o que fede e o que sobra?
quando e onde
deixaram-me na sarjeta
se sou de mim, mãe, pai
filha, começo e fim?
como ao acaso
deitar-me em vis palavras
se, delas, não quero nem o sol
nem as brasas e nem as larvas?
ah, se sou o que sou
sem ser muito ou pouco
ou quem sabe muito pouco
sou eu, sou eu e sou...
entre as frestas das janelas
se não sou das entrelinhas
o que fede e o que sobra?
quando e onde
deixaram-me na sarjeta
se sou de mim, mãe, pai
filha, começo e fim?
como ao acaso
deitar-me em vis palavras
se, delas, não quero nem o sol
nem as brasas e nem as larvas?
ah, se sou o que sou
sem ser muito ou pouco
ou quem sabe muito pouco
sou eu, sou eu e sou...
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
das dores
e se há no peito
uma dor...
que cubra-se
de cascas
negue ser pétala
negue ser febre
coloque-se
entre aspas
e finja
ser pedra...
uma dor...
que cubra-se
de cascas
negue ser pétala
negue ser febre
coloque-se
entre aspas
e finja
ser pedra...
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Quem sabe no Natal...
Esperava pelo pai todos os dias. Por mais que insistisse a mãe, não arredava pé do mesmo ritual. O vestidinho já desbotado, as sandálias apertadas. Fosse frio, buscava um casaquinho, fosse calor, prendia os cabelos. Vaidosa, olhava-se no espelho antes de ir para o portão. Roubava o batom da mãe, o perfume e estava pronta. Quatro anos de vida e tão longas e pesadas histórias.
- Amanhã ele virá, mamãe, falei para professora que não irei na aula pois vou passear com papai.
Os olhos claros foram se tornando turvos, caídos. Irritadiça ficava atenta ao toque do celular da mãe.
Semanas, meses e nada. A presença tão desejada, castigava-a com a ausência.
- Seu pai ligou, pena que você estava na escola... Não quero que fique triste, ele não poderá vir, tem de trabalhar por muito e muito tempo.
Mentira. A situação estava insustentável.
Fitou a mãe como se soubesse que nem isso ele fizera, não ligara, não se comunicara, não se mostrara interessado nela.
- Acho que ele virá no Natal...
Abraçada à mãe, os olhinhos cheios de lágrimas tentavam encontrar um porto seguro, um tempo seguro onde os homens não esquecem-se das pequenas almas que os esperam.
Não voltou mais ao portão. Quem sabe no Natal...
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
escarnio...
tenho chapiscasdo vísceras
em vias de fato ou nas saias d'agua
coágulos em muros brancos
tintas disfarçando gritos
e se não percebem o que digo
não lamento, não ligo
cansam-me as belas faces
cansa-me o raso das falas
ah, como canso-me
da carne...
em vias de fato ou nas saias d'agua
coágulos em muros brancos
tintas disfarçando gritos
e se não percebem o que digo
não lamento, não ligo
cansam-me as belas faces
cansa-me o raso das falas
ah, como canso-me
da carne...
terça-feira, 25 de novembro de 2014
da poesia...
e vem meio manca
meio mantra, meio santa
arregaçando das palavras
entranhas e ancas
libidinosa,
sinuosa
finge uma prece, uma prosa
um hálito de rosas
e sangra..
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
dos imãs...
rouba-me a boca
e não ouso uma rima
pobre e oca
dizem tanto do amor
e ele me faz assim
tão boba...
domingo, 23 de novembro de 2014
bastarda
cuidarei de minhas poesias
tal qual mãe em parto
pois, se aborto-me,
entre as letras amorfas
vejo meu retrato
são cacos, tragos
fiapos, farrapos, espasmos
caos e nacos
um nada entre metáforas,
escorrido e mal acabado
quero um parto
de úteros não meus
e de fetos alheios
um punhado de versos
sem os tons de vermelho
sem o meu espelho
uma poesia de sins
filha do acaso, filha bastarda
uma poesia... sem mim
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