domingo, 23 de novembro de 2014
bastarda
cuidarei de minhas poesias
tal qual mãe em parto
pois, se aborto-me,
entre as letras amorfas
vejo meu retrato
são cacos, tragos
fiapos, farrapos, espasmos
caos e nacos
um nada entre metáforas,
escorrido e mal acabado
quero um parto
de úteros não meus
e de fetos alheios
um punhado de versos
sem os tons de vermelho
sem o meu espelho
uma poesia de sins
filha do acaso, filha bastarda
uma poesia... sem mim
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
estridente...
desmembro
novembro
e em cada lembro
um membro
e em cada membro
um ente
em cada ente
um antes
e foram-se os membros
e foram-se os entes
e foram-se os antes
e foram-se as lentes
entre dentes
sangro, novembro...
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
das asas...
qual o nome da dor
qual o nome da flor?
edith
frida
silvia
virginia
eram tão raras
as rosas
eram tão fartas
as mágoas
que vício
que vício
um último trago,
um último passo
uma overdose de vida
e o voo, livre...
qual o nome da flor?
edith
frida
silvia
virginia
eram tão raras
as rosas
eram tão fartas
as mágoas
que vício
que vício
um último trago,
um último passo
uma overdose de vida
e o voo, livre...
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
maktub
sem saber
se havia luvas
expuseram-se
as mãos ao mundo
e ele, o mundo
cruel e sujo...
contaminou das mãos,
olhos e cruzes
se havia luvas
expuseram-se
as mãos ao mundo
e ele, o mundo
cruel e sujo...
contaminou das mãos,
olhos e cruzes
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
dos espectros...
levantam-se as palavras
entre letras mortas e lázaras
metamorfose
de quem foi pássaro
metamorfose
de quem não tem face
e se falo da morte
é nela que encontro asas
de que têm medo os nomes?
de que têm medo as frases?
se nessa mesma morte
abrem-se os céus da boca
se nessa mesma morte
esquartejo meus olhos ocos?
se nessa mesma morte
caminham ontens e hoje?
e vejo...
o que não foi dito
e acho graça
do que foi destino
e desprezo e desprezo
o que ainda vive...
sábado, 8 de novembro de 2014
dos ais..
por onde
respingo
ais
há um hálito
maldito
do tanto faz
manchas vermelhas
em histórias
brancas
o que sabem
os reles mortais
dos dedos que lambem?
o que sabem
covas tão rasas
das flores que mancam?
por onde
respingo
ais
há sempre
bocas famintas
de sangue...
respingo
ais
há um hálito
maldito
do tanto faz
manchas vermelhas
em histórias
brancas
o que sabem
os reles mortais
dos dedos que lambem?
o que sabem
covas tão rasas
das flores que mancam?
por onde
respingo
ais
há sempre
bocas famintas
de sangue...
terça-feira, 4 de novembro de 2014
domingo, 2 de novembro de 2014
eis que...
porque me desnudam as letras
não quero se não, olhos alheios
tal qual uma música sem dono
sem endereço, sem nome, sem freios
eis que vejo-me solta
a mercê de tantas veias
ora sou uma, ora sou duna
areia, estátua, pedra, devaneio
e se prendo-me aos medos
arranco-os sem raízes, ao meio
e sangro e sangro
num êxtase do desapego...
porque me desnudam as letras
quero de poesias, meu leito...
sábado, 1 de novembro de 2014
fagulhas
e no mormaço
a fala, os olhos, as brasas
do que não foi apagado,
indignadas as palavras
buscam nas cinzas, as asas,
e acham...
a fala, os olhos, as brasas
do que não foi apagado,
indignadas as palavras
buscam nas cinzas, as asas,
e acham...
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