levantam-se as palavras
entre letras mortas e lázaras
metamorfose
de quem foi pássaro
metamorfose
de quem não tem face
e se falo da morte
é nela que encontro asas
de que têm medo os nomes?
de que têm medo as frases?
se nessa mesma morte
abrem-se os céus da boca
se nessa mesma morte
esquartejo meus olhos ocos?
se nessa mesma morte
caminham ontens e hoje?
e vejo...
o que não foi dito
e acho graça
do que foi destino
e desprezo e desprezo
o que ainda vive...


