e se ouso
e se pouco
de amor, eu falo
de amor, eu ouço
é de um amor louco
é de um amor torto
ainda fogo
ainda poço
e morto
e morro
voo...
domingo, 28 de setembro de 2014
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
in sone...
que fúria é essa
sem nome, tão pressa?
do relógio
não quer as horas
dos olhos
não quer os sonhos
e mata
sem ser fome
e cega
sem ser sede
que fúria é essa
sem colo, sem dono?
insônia
insônia...
sem nome, tão pressa?
do relógio
não quer as horas
dos olhos
não quer os sonhos
e mata
sem ser fome
e cega
sem ser sede
que fúria é essa
sem colo, sem dono?
insônia
insônia...
sábado, 20 de setembro de 2014
das lágrimas...
de anseio em anseio
gasto dos olhos, os joelhos
de tão gastos, tão cansados
não dobram-se, espasmam-se
e choram...
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
terça-feira, 16 de setembro de 2014
dos cortes
e esse cansaço
de tanta poda
de tanta pólvora
de tanta solda
se é corte
que seja breve
que seja torto
que seja ópio
quero mais
o erro alado
o erro ao lado
o erro em asas
das palavras...
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
litígio...
tenho andado muito prosa
sem querer saber das trovas
e vem a poesia a galope
autoritária, a falar em rosas
insisto no vermelho sangue
teimosa, ela quer, pink romance
irritante, irritada, irritável
não sei se sou eu, ou se é ela
nada de entrelinhas
nada de versos
se continuarmos assim
é litígio na certa
oras essa...
ela ri, e nem eu acredito
em minhas promessas...
sem querer saber das trovas
e vem a poesia a galope
autoritária, a falar em rosas
insisto no vermelho sangue
teimosa, ela quer, pink romance
irritante, irritada, irritável
não sei se sou eu, ou se é ela
nada de entrelinhas
nada de versos
se continuarmos assim
é litígio na certa
oras essa...
ela ri, e nem eu acredito
em minhas promessas...
dos prazeres...
sem ponteiros
sem travesseiros
letras em espreita
letras sem gavetas
num tum-tum-tum
dos dedos
tocam e tocam-se
sem sossego
e escorrem
em êxtase
domingo, 14 de setembro de 2014
O Porão
A escada a minha frente não existia aos meus olhos. Quando abri a porta para o porão foi o cheiro de mofo que me atingiu como uma realidade aconchegante. A mania de preferir as sombras e os escombros aumentava com o passar dos anos. Pudesse ser um bicho seria um morcego. O bom e velho morcego. Cego e de um radar invejável.
Com um suspiro em êxtase comecei a descer degrau por degrau, adivinhando-os. As sombras, a escuridão aguçavam meus sentidos. O olfato degustando do mofo, o tato acariciando o corrimão empoeirado, a audição conseguindo alcançar os gritos da madeira estalando sob meus pés e o medo dos ratos correndo, pressentindo a presença do predador mor, eu, o ser humano.
Não era um porão qualquer, era o meu porão. Escondia-me nele desde que consegui ficar longe das mãos de minha mãe e irmãs. E dele saia todas as vezes sob as vozes femininas e horrorizadas.
Na ausência de minha consciência, projetei meu inconsciente no escuro, lúgubre e funesto porão. Onde hoje e sempre sinto-me eu, sinto-me à vontade.
Homens são seres estranhos, voltam-se para si mesmos, gritam com si mesmos, culpam-se pelos erros e parabenizam-se pelos acertos. A idade tem me deixado cínico e mais observador. Percebo nas pessoas a necessidade de criarem casulos, labirintos e porões onde perdem-se e escondem-se chafurdados em comiserações e vaidade. Basta olhá-los nos olhos, e lá estará a ponta do fio de Ariadne que nos levará a um desses compartimentos internos.
O meu compartimento é externo. O porão da casa onde nasci e vivi.
Tenho evitado a luz por tantos anos que somos quase inimigos.
As mulheres de minha família com o tempo se foram. Não me perguntem como. Seriam longas histórias a serem relatadas. Gosto de manter o passado enterrado e guardado para que em noites de tédio eu possa revirá-lo e senti-lo perto de mim em segredo.
Tenho pensado nas lápides, como seria estar em uma cova coberta por terra ou por cimento. Seria tão agradável quanto meu porão? Os corpos que enterrei nunca me assombraram, nunca voltaram para contar a sensação dos vermes roendo suas vísceras. Pena.
E cá estou em meio aos destroços e desgraças familiares espalhados em três metros quadrados. O cheiro do mofo misturando-se ao da moça já em decomposição no colchão por nós usado há dois dias é simplesmente divino. Assim imagino ser o cheiro de Deus, um perfume de pruridos, carne, medo, ignorância e escuridão, um perfume exalado por uma essência que alimenta-se de devoção .
Quanta incoerência no corpo estendido diante de mim. Nenhuma gota de sangue, nenhum pulsar, nenhum som, nada. Cadáveres deveriam de continuar a sangrar para coroar sua perfeição.
Antes que o dia nasça, ela e eu, já estamos acomodados, ela no porta-malas do carro e eu conduzindo sua morte, assim como conduzi sua vida. Acelero, tenho pressa ou teremos de enfrentar a luz para preservar minhas sombras... Amém.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
cárcere
é estranho esculpir palavras
sem ceder à elas, suas asas
olham-me de soslaio
olham-me assustadas
entre o branco e o vácuo
olhos outros, não há,
que falta é essa
que eco é esse
tão grito, tão forte,
quicando sem norte
versos em silêncio
um quase epitáfio
asfixia sem lápide
asfixia sem morte
a poesia e o nada...
sem ceder à elas, suas asas
olham-me de soslaio
olham-me assustadas
entre o branco e o vácuo
olhos outros, não há,
que falta é essa
que eco é esse
tão grito, tão forte,
quicando sem norte
versos em silêncio
um quase epitáfio
asfixia sem lápide
asfixia sem morte
a poesia e o nada...
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