quinta-feira, 11 de setembro de 2014
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
desejos...
eram turvas
as curvas
eram lascivas
as fugas
eram tenras
as uvas
e um medo
do passo a frente
e um medo
da boca pendente
e o medo
das mãos ardentes
um não
querendo sim
sem armas
sem disfarces
prender as uvas
entre a língua e os dentes
no lascivo
diluir-se em fuga
beber das curvas
águas profundas
e afogar o medo
em corpos que procuram-se...
as curvas
eram lascivas
as fugas
eram tenras
as uvas
e um medo
do passo a frente
e um medo
da boca pendente
e o medo
das mãos ardentes
um não
querendo sim
sem armas
sem disfarces
prender as uvas
entre a língua e os dentes
no lascivo
diluir-se em fuga
beber das curvas
águas profundas
e afogar o medo
em corpos que procuram-se...
sábado, 6 de setembro de 2014
Adubo
Não espero de você alguma empatia. Preste atenção, por favor. Se não existe para mim, não espero que exista para mais ninguém. Uma palavrinha com ranço de cabresto inventada para cercear os instintos. Uma baboseira a mais citada por idiotas que pensam entender pessoas iguais a mim.
Sabe, você não me conhecia mas eu te conhecia. Se empatia para mim não existe, existe algo maior e melhor, existe em mim a capacidade pura e virgem de farejar o que você sente e pensa sem que isso me afete e atrapalhe meu objetivo. Pelo contrário, faço uso e abuso dessa capacidade.
Minha espécie, graças a Deus, é desprovida de sentimentos e apegos. Por não tê-los identifico-os e bem. Juro que meu desejo é de comemorar o gozo que o sangue escorrendo de suas veias para sua carne está me proporcionando. Prolongar e comemorar. Comemorar por vários e vários dias. Se pudesse te exibiria, exibiria o meu êxtase, o meu poder sobre a matéria. Não me olhe assim... Tenho minha vaidade, meu ego. Orgulho de minha obra.
Acha que sou louco?
Não irá me responder. Nem outros corpos me responderam. Gosto disso. Vejo que ainda resta uma centelha de vida em seus olhos. Interessante. Está demorando um pouco mais. Por quê?
Não, não tente responder. Conserve o que te resta de energia para mim.
Quero continuar a te deleitar com minha sabedoria sem ser interrompido. Onde paramos?
Curiosa em saber como te conheci? Não, não pense bobagens. Não foi em redes sociais. Muito manjado. Para quem não consegue falar está indo muito bem. Um pouco mais e terminaremos. Tenha paciência. Bom demais esse seu sangue escorrendo, deixe-me prolongar meu prazer. Você deu trabalho, não esperava por isso. Miúda, magrela. Mas arranha como gato e dá coice como cavalo. Não devia ter me machucado, tive de te prender antes da hora. Gosto mais quando o processo da caça se prolonga.
Mas, sou magnânimo, te perdoo, está indo bem.
Vamos em frente, antes que... Antes que... Se quiser pode rezar. Dizem que é bom antes da hora derradeira. Se ele lá em cima te ouvir, mande minhas saudações, um belo trabalho o dele. Corpos e mais corpos a serem ceifados para alimentá-lo. Eis o que sou, minha cara, um servo de Deus. Ofereço o sua alma a ele. E eu... Eu fico com sua carne pulsante, com seu medo que lateja, com seu sangue que brota como flores vermelhas de sua pele onde carinhosamente penetrei minha adaga.
Droga. Outra que me deixa falando sozinho. Pobrezinha partiu sem saber onde a conheci. Fácil, observar, marcar a caça. Fazer os planos e executar.
Não foi difícil atraí-la para meu carro. Um dia ou outro elas aceitam a carona. E agora estava ali em minha cama ao meu sagrado dispor. Finalmente calou a boca. Calou a boca de fato e me deixou em paz. Resmungos, vozes, gritos, gêmidos me incomodam. As pessoas fariam bem umas as outras se evitassem o desprazer de serem ouvidas. Mas, eu admito e agradeço do fundo do meu coração, o imenso e inenarrável prazer. Pouco a pouco tirar de dentro da preciosa carne o que a contamina, retirar todo o peso de anos e mais anos desses corpos é maravilhoso. Um corte, dois cortes, lanhando mais um pouco, um pouco mais. Somente eu, sei e conheço suas verdadeiras faces, sem nenhuma linha de expressão, sem nenhuma emoção. Não há nada mais belo do que o rosto de um cadáver. Nada mais puro. Lamento que assim seja por pouco tempo. Logo se deterioram e perdem esse encanto.
O corpo a minha frente, ainda quente, foi meu cúmplice, me provocou e acenou com gestos em um ritual conhecido por mim. O que dentro dele havia era um estorvo. Como as pessoas são idiotas, pensam ser mais do que carne, ossos e sangue, não são. Tirando o que dentro delas há, o que resta é o adubo. Dizem serem complicadas e são simples. Querem um alozinho, um sexozinho, um noitada, a rotina. Infelizes. Eu sou superior. Livro-os da carga emocional, reduzo-os à matéria, santifico-os pós morte. A terra o que é da terra, adubo.
domingo, 31 de agosto de 2014
das faces
desconstruo-me
sem buscas, sem rumos
e escorro feito leite
em xícara sem fundo
sem raízes, faço das letras
minha cama, minha ilha...
pinço aqui e ali palavras
que foram entrelinhas
mato o que foi inteiro
vivo do que morreu
e entre meus dedos
esmago, espelhos meus...
sábado, 30 de agosto de 2014
então tá...
não diga que não te avisei
não diga que não te evitei...
eu tentei e você sabe
antes e depois da carne
mas, se é pra ser além...
que assim seja, amém
agora é tão meu o tempo
ontem e hoje num sempre
as máscaras uma à uma, pisoteadas,
e todo fel deliciosamente inalado
tão longo o caminho riscado
tão longo e por nós, desejado
suas mãos, seus olhos distantes
cuidando dos meus fracassos,
não, não diga que não te avisei
não, não diga que não te evitei...
éramos você e eu
eu e você e mais nada...
eu tentei e tentei e você sabe
se nos machucamos foi nos quases
se, nos achamos, foi no pecado
você sente e você sabe...
sem imagens
só palavras...
não diga que não te evitei...
eu tentei e você sabe
antes e depois da carne
mas, se é pra ser além...
que assim seja, amém
agora é tão meu o tempo
ontem e hoje num sempre
as máscaras uma à uma, pisoteadas,
e todo fel deliciosamente inalado
tão longo o caminho riscado
tão longo e por nós, desejado
suas mãos, seus olhos distantes
cuidando dos meus fracassos,
não, não diga que não te avisei
não, não diga que não te evitei...
éramos você e eu
eu e você e mais nada...
eu tentei e tentei e você sabe
se nos machucamos foi nos quases
se, nos achamos, foi no pecado
você sente e você sabe...
sem imagens
só palavras...
terça-feira, 19 de agosto de 2014
ir e vir...
repetem-se os ciclos
noite e dia, verão e inverno
morte e vida
assim
caminha a humanidade
em círculos...
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
dos rebentos...
num onde
alastram-se
anseios
brota
o feto
do verso
esse
ainda
ao meio
sem saber-se
meu ou alheio
pele ou beijo...
sem fim
sem começo
de joelhos...
sonha
ser da poesia,
as veias...
alastram-se
anseios
brota
o feto
do verso
esse
ainda
ao meio
sem saber-se
meu ou alheio
pele ou beijo...
sem fim
sem começo
de joelhos...
sonha
ser da poesia,
as veias...
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
das datas...
se é de pai
se é de mãe
tanto faz,
se, noite ou dia...
há mãos
há preces
e essa pressa
do pão, da paz
e pés
que caminham
sozinhos...
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
a gosto...
com que rosto
anda o tempo
velho
ou moço?
dizem
dos desgostos
dizem
dos loucos
dizem
dos ventos
dizem
dos lamentos
com tanto gosto
dizem e dizem: é agosto...
anda o tempo
velho
ou moço?
dizem
dos desgostos
dizem
dos loucos
dizem
dos ventos
dizem
dos lamentos
com tanto gosto
dizem e dizem: é agosto...
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