quarta-feira, 23 de julho de 2014

Navegue comigo...


Deus, dê-me suas mãos,
navegue comigo
Vamos juntos explorar
continentes, mares,
casebres, mansões
Entre os humanos na terra
sondar vossos  lares
Veja os filhos teus,
muitos estão em guerra!

Outros tem a face descarnada
é a fome, avassala-os sem pudores,
Ouça o gemido de vidas abortadas,
Navegue comigo, meu Deus,
O universo é teu....
Se há flores, há dores,
filas de ovelhas a esmolar
Crianças exploradas,
Velhice desrespeitada...

Observe as estrelas, são tuas
Empreste o brilho delas
aos errantes
Deixe o sol iluminar
os descaminhos,
Deus, são filhos teus!
Nos sertões, nas ruas
Todos navegantes

Ah! Os bem sucedidos...
Minoria ou bandidos?
Acredite meu Deus,
Esse mundo é teu
Navegue por ele

Desça ao inferno das almas suplicantes!
Mostre-se aos meninos que se drogam
Mostre-se às meninas que se prostituem!
Mostre-se ao abandono dos animais
Navegue!
Seja menos Deus, misture-se ao homem!

Somos gratos pelas vidas socorridas
crianças em lixos, acolhidas, filhas tuas
Mas não faças disso um milagre!
Navegue! Faça o bem ser normal
Nos envolva com a magia da lua
Seja nosso abrigo natural,
Não me deixe crer
Que Deus é ateu...

terça-feira, 15 de julho de 2014

das safras...

há dias
que letras carrego

em outros, elas,
carregam-me

ora sou carga
ora sou escrava

palavra

sábado, 12 de julho de 2014

37


de réstia em réstia
sobre o cinza do inverno
um sol amarelo

abre suas pétalas

terça-feira, 8 de julho de 2014

36


no frigir dos olhos
na copa e na cozinha
restaram os copos...

e os cães agradecem
a ausência dos fogos

domingo, 6 de julho de 2014

dos esgotos...


ouço vozes
ouço minúcias
ouço a lua

e estaco, quase pêndulo
presa em um meio fio torto
ao sabor do que destoa

o centro, ali ao lado
faz pirraça, faz pouco
de minhas escolhas

e eu,
hermética, cética
isolo-me...

ouço olhos
ouço exclusos
ouço escuros...

sábado, 5 de julho de 2014

das impossibilidades...

o que hei de fazer
com tantos espinhos
que teimam caminhos

pudesse varrê-los
pudesse baní-los

extirpar dos meus pés
a dor de não ter uma saga
onde possa plantar sóis e fé

mas...

se tudo é quase
se tudo é necrose

e se entre os espinhos
encontro, a rosa, a prosa,
o silêncio, a voz e a poesia

não tenho um fazer
não há, não hei..

sábado, 28 de junho de 2014

35


bem-te-vi, bem-te-vi
ecoa o pássaro lá fora
e eu só o canto ouvi

quinta-feira, 26 de junho de 2014

34


a lua lá no alto
entre uma fresta e outra
visita os olhos

terça-feira, 24 de junho de 2014

das perdas

prenderam o fôlego
olhos, mãos e joelhos

não ousavam os olhos
atravessarem as letras

não ousavam as mãos
apressarem um desfecho

não ousavam os joelhos
a dobrarem-se aos devaneios

prenderam-se ao medo
perderam-se no tempo

segunda-feira, 23 de junho de 2014

das palavras


gosto de palavras novas
gosto de palavras antigas
gosto da palavra, poesia

dentro dela cabem
sangue e água
morte e vida

cura e vício...