terça-feira, 15 de julho de 2014

das safras...

há dias
que letras carrego

em outros, elas,
carregam-me

ora sou carga
ora sou escrava

palavra

sábado, 12 de julho de 2014

37


de réstia em réstia
sobre o cinza do inverno
um sol amarelo

abre suas pétalas

terça-feira, 8 de julho de 2014

36


no frigir dos olhos
na copa e na cozinha
restaram os copos...

e os cães agradecem
a ausência dos fogos

domingo, 6 de julho de 2014

dos esgotos...


ouço vozes
ouço minúcias
ouço a lua

e estaco, quase pêndulo
presa em um meio fio torto
ao sabor do que destoa

o centro, ali ao lado
faz pirraça, faz pouco
de minhas escolhas

e eu,
hermética, cética
isolo-me...

ouço olhos
ouço exclusos
ouço escuros...

sábado, 5 de julho de 2014

das impossibilidades...

o que hei de fazer
com tantos espinhos
que teimam caminhos

pudesse varrê-los
pudesse baní-los

extirpar dos meus pés
a dor de não ter uma saga
onde possa plantar sóis e fé

mas...

se tudo é quase
se tudo é necrose

e se entre os espinhos
encontro, a rosa, a prosa,
o silêncio, a voz e a poesia

não tenho um fazer
não há, não hei..

sábado, 28 de junho de 2014

35


bem-te-vi, bem-te-vi
ecoa o pássaro lá fora
e eu só o canto ouvi

quinta-feira, 26 de junho de 2014

34


a lua lá no alto
entre uma fresta e outra
visita os olhos

terça-feira, 24 de junho de 2014

das perdas

prenderam o fôlego
olhos, mãos e joelhos

não ousavam os olhos
atravessarem as letras

não ousavam as mãos
apressarem um desfecho

não ousavam os joelhos
a dobrarem-se aos devaneios

prenderam-se ao medo
perderam-se no tempo

segunda-feira, 23 de junho de 2014

das palavras


gosto de palavras novas
gosto de palavras antigas
gosto da palavra, poesia

dentro dela cabem
sangue e água
morte e vida

cura e vício...

quarta-feira, 18 de junho de 2014

dos andrajos

tenho pensado
nos sapatos mortos
que deixei sem pés

nos trapos
e nos farrapos cinzas
ainda vivos

esses que insisto carregar
pra lá e pra cá, acolá
sem ter onde ficar

dia ou outro
enojam-me e em espasmos
tento cuspí-los, vomitá-los

e aqueles sapatos
abandonados dizem-me
tire deles, a fé...

bolinam minha carne
açoitam minhas palavras
insinuam-se em minha escrita

numa vingança ao vazio
ao vácuo, imploram-me
aos andrajos, a lápide...