quinta-feira, 15 de maio de 2014
por que?
e quando vem a tosse
parece querer de mim
arrancar os pulmões
pergunto-me
por que não?
por que
não arrebentar
meus porões?
deixar sangrar
garganta e boca à fora
a carne que me devora
essa a asfixiar a alma
essa a castigar o relógio
por que
não vomitar a vida
que me apavora?
deixá-la escorrer
a mercê de veios famintos
nesse chão que me convida
tão fácil seria
trilhar esse caminho
por que não?
por que não?
parece querer de mim
arrancar os pulmões
pergunto-me
por que não?
por que
não arrebentar
meus porões?
deixar sangrar
garganta e boca à fora
a carne que me devora
essa a asfixiar a alma
essa a castigar o relógio
por que
não vomitar a vida
que me apavora?
deixá-la escorrer
a mercê de veios famintos
nesse chão que me convida
tão fácil seria
trilhar esse caminho
por que não?
por que não?
quarta-feira, 14 de maio de 2014
dos fiapos
refazer os nós
colar os cacos
quem sabe
juntar os ossos
de um jeito manco
escalar barrancos
encilhar um corpo
meio vivo, meio morto
feito boneca de trapos
talhada na arte em cortes,
e torta
tropegamente
ir em frente
sexta-feira, 9 de maio de 2014
da paz
queria
das histórias
ou dos contos
o ponto final
fosse de amor
ou de guerra
encontro ou
de espera
fosse de açúcar
ou de sal
de água ou
de terra
tanto faz
só no ponto final
há paz
a paz
das histórias
ou dos contos
o ponto final
fosse de amor
ou de guerra
encontro ou
de espera
fosse de açúcar
ou de sal
de água ou
de terra
tanto faz
só no ponto final
há paz
a paz
quinta-feira, 8 de maio de 2014
das almas
se pergunto aos deuses
de que barro, você e eu
fomos feitos
se pergunto aos deuses
em que gatos e letras tantas
moram nosso encanto
como de praxe
a resposta é o deboche
são apenas, "achos"
e não acho-me
é no limbo
onde vivo, onde piso
nosso encontro
o resto é febre
o resto é carne
o resto é tato
e ao alcance das mãos
não te acho
não importa
não há janelas
não há portas
acostumada a viver
nesse limbo que me consome
não tenho mais nome
"só" sou almma
quarta-feira, 7 de maio de 2014
invisível...
prolongou-se o crepúsculo,
entre mãos e entrelinhas idas
forjava palavras esquecidas
dessas a brotarem feito sina
sem saberem a dor que não finda
nos olhos que não encontram rima
se na insistência
ria um pretérito ainda vivo
era do luto, o próximo segundo
e sem ir ou vir
quedou-se o velho moço
no meio do pergaminho
a espera do nada
esparramou sua triste escrita
sem nunca ser lido
fuga
fez-se um rombo
do telhado, os olhos,
e de dentro para fora
réstias em fúria
cacos a morderem dos céus
nuvens e rua...
restou uma casa vazia,
copos e sonhos na pia
obscuras e insones
poesias
do telhado, os olhos,
e de dentro para fora
réstias em fúria
cacos a morderem dos céus
nuvens e rua...
restou uma casa vazia,
copos e sonhos na pia
obscuras e insones
poesias
domingo, 4 de maio de 2014
mordaças
mordazes cadarços amarram
com destreza as palavras,
na boca escondem as farsas
as frases que proferem
ladainhas, terços, fedem,
travam com fé, a verdade,
tristeza aos deuses... pedem,
em um ato de culpa e contrição
oferecem um indulto, ao pecado
um pedaço do dia, do lucro
mordaças que cheiram a traças
vingam no fundo das frestas da alma
penetram a carne adoçando a saliva
correm no leito das veias
esfaqueando cruzes ocultas
mordazes, mordaças
traças, farsas, escarros
cadarços presos à navalhas
golpeiam o espírito
em atrito
o verbo se faz escravo
pulsa, vísceras implode
joelhos lambendo o chão
tripas, carniça, delicias
escorrendo in vão...
prece, cárcere, pressa
travas, céus, mãos
reza, palavra, prêsa,
talvez, sim... não
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