não sei mais ser suave
indelicadeza, reverso em ferro
bisturis nas entranhas, peço...
sofismas que minha carne, tece,
punhal de incerteza é quase
não sei mais sorrir
brotam rasteiras ervas daninhas
sufocando os poros de onde
em outra seita, cultuavam luxúria
louvor a uma alma crua...
não sei mais ser essência
escorre pelos vidros
da vida, meus cacos,
minha água, partos
cristais aos pedaços
não sei mais ser pura
contamino minhas veias
vícios, riscos...
vínculos arranhados na areia
tempo diluído em sangue
não sei mais ser eu
dor que minha língua, lambe,
letras esculpidas em vitrines
sinais vermelhos sem maestria
em negros glóbulos de rimas...
não sei mais ser flor
sem miolo, oca
rasgo minhas pétalas
fungos em caule seco
restos, incinero...
segunda-feira, 14 de abril de 2014
do casulo
de que foram feitas
essas sinuosas ruas minhas
onde nem meus eus
acham-me de face de fora
de que foram feitas
essas minhas entrelinhas
onde nem minha poesia
encontra o fel que me devora
de que foram feitas
todas as minhas manias
onde nem minhas facas
arranham as pedras que abrigo
de que foram feitas
todas as minhas buscas
onde nem minhas máscaras
alcançam os pés de outrora
de que, onde, quando
perco-me sem mais e tanto
de que, onde, quando
naufrago em meu sumo
fujo
e não volto
e não volto...
essas sinuosas ruas minhas
onde nem meus eus
acham-me de face de fora
de que foram feitas
essas minhas entrelinhas
onde nem minha poesia
encontra o fel que me devora
de que foram feitas
todas as minhas manias
onde nem minhas facas
arranham as pedras que abrigo
de que foram feitas
todas as minhas buscas
onde nem minhas máscaras
alcançam os pés de outrora
de que, onde, quando
perco-me sem mais e tanto
de que, onde, quando
naufrago em meu sumo
fujo
e não volto
e não volto...
sábado, 12 de abril de 2014
a folha e o poema...
a folha branca se espanta
goteja do céu de cimento
excitação à desbotada donzela
hálito do poema, in feto
abstinência prescrita no esquecimento
frágil luto.... luta a flor de celulose
o cio da fêmea, vence... o rubor engole
cálida, ondulante, doa o ventre
brasas no arco íris dos dedos
arregaçam da folha, as ancas
ruído de espumas no útero
espasmos em espelho quente
incesto entre os gestos
gestam-se os versos
prolifera a raíz, cicatriz em concha
da folha, brota o poema, em ecos...
sangro
a dor lá fora
late, bate à porta
reclama
declama
inflama-se
entra
e aqui dentro
rasga-me a verve
fere tanto...
um tanto escuro
um tanto quanto
um tanto surdo
e nada muda
sangro
late, bate à porta
reclama
declama
inflama-se
entra
e aqui dentro
rasga-me a verve
fere tanto...
um tanto escuro
um tanto quanto
um tanto surdo
e nada muda
sangro
quinta-feira, 10 de abril de 2014
do outono
adentra o outono
pelos galhos, pelas folhas
no vento que sopra
caminham seus olhos
fosse mais quente
fosse mais frio
um pouco mais moço
um pouco mais velho
não seria dos dias
o senhor da nostalgia
não teria nas costas
os passos de ontem
não teria nas mãos
o hoje a ir embora
sorri o outono
abre sua casa, seus quartos
pinta esperas
enfeita-se de amarelo...
e ao sono, uma prece
acolher o inverno
pelos galhos, pelas folhas
no vento que sopra
caminham seus olhos
fosse mais quente
fosse mais frio
um pouco mais moço
um pouco mais velho
não seria dos dias
o senhor da nostalgia
não teria nas costas
os passos de ontem
não teria nas mãos
o hoje a ir embora
sorri o outono
abre sua casa, seus quartos
pinta esperas
enfeita-se de amarelo...
e ao sono, uma prece
acolher o inverno
quarta-feira, 9 de abril de 2014
tão pouco...
um pouco de tudo
nesse fim de mundo
confins de confissões
caricatas e absurdas
na ponta da agulha
nem fio, nem olhos
só um pedaço do nó
esquecido pelo pó
lanhada, temperada
ao sugo, verte a flor
tolices, achando ser cor
a névoa de sua dor
tolices... confissões
querendo ser semente,
um solo sem estrelas
estéreis dedos riscam...
megalomaníaca, a letra
pensando ser do sol, a lua
derrama seu resto de vida
sobre o véu da poesia...
um pouco de tudo
nesse fim de mundo,
confissões, tolices
bobagens, catarses
nesse fim de mundo
confins de confissões
caricatas e absurdas
na ponta da agulha
nem fio, nem olhos
só um pedaço do nó
esquecido pelo pó
lanhada, temperada
ao sugo, verte a flor
tolices, achando ser cor
a névoa de sua dor
tolices... confissões
querendo ser semente,
um solo sem estrelas
estéreis dedos riscam...
megalomaníaca, a letra
pensando ser do sol, a lua
derrama seu resto de vida
sobre o véu da poesia...
um pouco de tudo
nesse fim de mundo,
confissões, tolices
bobagens, catarses
terça-feira, 8 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
silêncio
de distantes letras
fiz leito, fiz teto,
fiz sóis
fiz-me nó
um nó aperto
sem carne, abstrato
num gesto em vigilia
e tão só
fiz-me olhos...
sem ir além
sem améns
sem aquéns
sem refém
fiz-me espera
( sem reflexo )
um fio de entrelinhas
em meios aos versos
a soprar num dialeto
poesias ainda feto
e veio o tempo
e veio o vento
e veio o outono
e veio o sono
fez-se o esquecimento
( mais e mais distantes )
adormeceram as letras,
em silêncio...
domingo, 6 de abril de 2014
do tempo
sei e sinto o desprezo
dos olhos meus aos teus
e te sopro e emudeço
numa síncope no peito
faço morada, faço gelo
e sobre ela, deito-me
não há, não houve
no silêncio que me protege
nenhum outro veio
só esses versos
que ainda teço, ao meio
e me descobrem inteira
ah, essa minha indiferença
que me faz em pé e sem correntes
mãos soltas em reticências
e se me assusta ser livre...
encanta-me a ti, meu desapego
ontem era tudo, hoje és areia
areia ao vento
areia entre os dedos
areia ao tempo
dos olhos meus aos teus
e te sopro e emudeço
numa síncope no peito
faço morada, faço gelo
e sobre ela, deito-me
não há, não houve
no silêncio que me protege
nenhum outro veio
só esses versos
que ainda teço, ao meio
e me descobrem inteira
ah, essa minha indiferença
que me faz em pé e sem correntes
mãos soltas em reticências
e se me assusta ser livre...
encanta-me a ti, meu desapego
ontem era tudo, hoje és areia
areia ao vento
areia entre os dedos
areia ao tempo
sexta-feira, 4 de abril de 2014
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