a dor lá fora
late, bate à porta
reclama
declama
inflama-se
entra
e aqui dentro
rasga-me a verve
fere tanto...
um tanto escuro
um tanto quanto
um tanto surdo
e nada muda
sangro
sábado, 12 de abril de 2014
quinta-feira, 10 de abril de 2014
do outono
adentra o outono
pelos galhos, pelas folhas
no vento que sopra
caminham seus olhos
fosse mais quente
fosse mais frio
um pouco mais moço
um pouco mais velho
não seria dos dias
o senhor da nostalgia
não teria nas costas
os passos de ontem
não teria nas mãos
o hoje a ir embora
sorri o outono
abre sua casa, seus quartos
pinta esperas
enfeita-se de amarelo...
e ao sono, uma prece
acolher o inverno
pelos galhos, pelas folhas
no vento que sopra
caminham seus olhos
fosse mais quente
fosse mais frio
um pouco mais moço
um pouco mais velho
não seria dos dias
o senhor da nostalgia
não teria nas costas
os passos de ontem
não teria nas mãos
o hoje a ir embora
sorri o outono
abre sua casa, seus quartos
pinta esperas
enfeita-se de amarelo...
e ao sono, uma prece
acolher o inverno
quarta-feira, 9 de abril de 2014
tão pouco...
um pouco de tudo
nesse fim de mundo
confins de confissões
caricatas e absurdas
na ponta da agulha
nem fio, nem olhos
só um pedaço do nó
esquecido pelo pó
lanhada, temperada
ao sugo, verte a flor
tolices, achando ser cor
a névoa de sua dor
tolices... confissões
querendo ser semente,
um solo sem estrelas
estéreis dedos riscam...
megalomaníaca, a letra
pensando ser do sol, a lua
derrama seu resto de vida
sobre o véu da poesia...
um pouco de tudo
nesse fim de mundo,
confissões, tolices
bobagens, catarses
nesse fim de mundo
confins de confissões
caricatas e absurdas
na ponta da agulha
nem fio, nem olhos
só um pedaço do nó
esquecido pelo pó
lanhada, temperada
ao sugo, verte a flor
tolices, achando ser cor
a névoa de sua dor
tolices... confissões
querendo ser semente,
um solo sem estrelas
estéreis dedos riscam...
megalomaníaca, a letra
pensando ser do sol, a lua
derrama seu resto de vida
sobre o véu da poesia...
um pouco de tudo
nesse fim de mundo,
confissões, tolices
bobagens, catarses
terça-feira, 8 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
silêncio
de distantes letras
fiz leito, fiz teto,
fiz sóis
fiz-me nó
um nó aperto
sem carne, abstrato
num gesto em vigilia
e tão só
fiz-me olhos...
sem ir além
sem améns
sem aquéns
sem refém
fiz-me espera
( sem reflexo )
um fio de entrelinhas
em meios aos versos
a soprar num dialeto
poesias ainda feto
e veio o tempo
e veio o vento
e veio o outono
e veio o sono
fez-se o esquecimento
( mais e mais distantes )
adormeceram as letras,
em silêncio...
domingo, 6 de abril de 2014
do tempo
sei e sinto o desprezo
dos olhos meus aos teus
e te sopro e emudeço
numa síncope no peito
faço morada, faço gelo
e sobre ela, deito-me
não há, não houve
no silêncio que me protege
nenhum outro veio
só esses versos
que ainda teço, ao meio
e me descobrem inteira
ah, essa minha indiferença
que me faz em pé e sem correntes
mãos soltas em reticências
e se me assusta ser livre...
encanta-me a ti, meu desapego
ontem era tudo, hoje és areia
areia ao vento
areia entre os dedos
areia ao tempo
dos olhos meus aos teus
e te sopro e emudeço
numa síncope no peito
faço morada, faço gelo
e sobre ela, deito-me
não há, não houve
no silêncio que me protege
nenhum outro veio
só esses versos
que ainda teço, ao meio
e me descobrem inteira
ah, essa minha indiferença
que me faz em pé e sem correntes
mãos soltas em reticências
e se me assusta ser livre...
encanta-me a ti, meu desapego
ontem era tudo, hoje és areia
areia ao vento
areia entre os dedos
areia ao tempo
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Gestando...
E então fez-se dia. Os pássaros cantavam, as comadres gritavam com seus filhos nos quintais vizinhos, o café na cafeteira esfriava.
Da janela da cozinha pude ver os galhos da mangueira acariciando a casa ao lado de costas para mim.
E aquela maldita TPM, a dor nos seios, o sol embaçado, o piso limpo que me parecia sujo, muito sujo. Jurei vingança para depois do almoço.
Entre lavar a roupa pela manhã e escrever. Escrever.
Ora, sim, ainda sou uma dona de casa. Dessas à moda antiga. Com direito a bolo de fubá, leite quente e roupa no varal.
Mas, hoje, hoje não. Hoje as letras seriam mais importantes.
Sentada diante da tela, branco total, branco desprezo. Branco roupa quarada.
Li algumas coisas, respondi emails, totalmente desinspirada. Vazio.
Voltei à janela. A mangueira ainda acariciava a casa vizinha. Traição.
Tanto fiz por essa ingrata, plantei, irriguei e ela? De flerte com os vizinhos.
Como se adivinhasse meus pensamentos, o vento balançou suas folhas e pude vislumbrar em meio ao emaranhado verde, pequeninas flores em promessa de frutos. Sorri.
Com um pouco mais de calor - aqui faz frio - teria belas mangas. Minha mangueira estava grávida, não era mais uma adolescente.
A vida seguia seu curso.
Fechei o computador, desisti das escritas, também eu precisava gestar para colher frutos.
terça-feira, 1 de abril de 2014
abril...
instável abril
não sabe o que diz
se chora ou se ri
se é quente ou frio
se verdades recria
se palavras inventa
dia ou noite
na inconstância dos verbos
ao outono mente
entre o verão e o inverno
ora quer ser uma borboleta
ora uma folha seca
não sabe o que diz
se chora ou se ri
se é quente ou frio
se verdades recria
se palavras inventa
dia ou noite
na inconstância dos verbos
ao outono mente
entre o verão e o inverno
ora quer ser uma borboleta
ora uma folha seca
segunda-feira, 31 de março de 2014
dos erros
traços
trago
aos pedaços
nacos
às farpas
abraço
não acho
em linha reta
meus farrapos
passo
circulando
nadas
impregnada
de um tudo
errado...
trago
aos pedaços
nacos
às farpas
abraço
não acho
em linha reta
meus farrapos
passo
circulando
nadas
impregnada
de um tudo
errado...
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