quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

sem teto

feneceram os versos
entre linhas sem ecos

já não há mais poesia
nas mãos das quimeras

sem palavras
sem metáforas

não mais
espero..

domingo, 19 de janeiro de 2014

caça

e nessa distância
entre a fala e a palavra
poesias, a alma, caça...

e acha...

e nesse enlace
entre os olhos e a imagem
poesias, a alma, caça

e acha...

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

das dores...

há uma dor
a minha espreita
e comigo, levanta-se
e deita-se

tanto faz
se olho à esquerda
ou à direita, lá está ela
num convite ao flerte

se fujo
e me faço muda
murmura aos meu ouvidos
ontens desfeitos

tortura-me
essa dor absurda
ela não vai
e eu não luto...

com medo
de encará-la de frente
sigo sem chão e sem  rumo
e de mim, sumo...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

à deriva

e sobram-me as mãos
essas sem o pouso do afago
qual folhas secas ao vento

sem paz e sem cais
à deriva entre tantas tormentas...

sábado, 7 de dezembro de 2013

enclausuro-me...

num ponto cego
teço de dentro pra fora
versos do avesso

e no pó das entrelinhas
liberto o que não foi escrito

tantos e tantos, erros
em segredo, sem algemas
fogem, enfim, sem mim...

sábado, 30 de novembro de 2013

moscas...

moscas
tão nossas
tão moças

toscas
asas destroem
no grude do fogo

sem fôlego
só olhos
e bocas

dizem
ser pouco
uma morte

e voltam ser ovos

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

vida

havia verdes pios
entre árvore e penas
na tarde poema

não eram ainda voo
não eram ainda inteiras
as asas tão tenras

um ensaio
de bicos e olhos
num ninho de folhas

alheios às horas
pequeninos pássaros a vida
comemoram...




quarta-feira, 27 de novembro de 2013

ímpar...

e o vazio
destila a dor da poesia
que míngua

seca
não muda
não surda

sem elo
sem reflexo
e única


surta...

na palavra
que grita
sem eco

sem resposta
sem janelas
ou portas

sem verso
sem rima, morre...
estéril

terça-feira, 26 de novembro de 2013

do tempo


debocha no espelho
esse  grito da face
tatuado em silêncio

silêncio tão cúmplice
de um artista sem culpa
de um artista mudo

a caminhar por luas
sóis, lençóis e chuva
num passo que é tudo

só ida, sem volta
sempre do fim, uma busca
sempre enganando o futuro

é esse tempo
que acolhe e destrói
que engole e constrói

afoga e afaga
alimenta e come
tantas palavras

é esse tempo
a beber da carne
o suco e sumo...

num reflexo perplexo
a mostrar minhas fases
em suas garras e unhas...



sábado, 16 de novembro de 2013

das pedras


há dias em que tudo pesa
tudo cansa, de um nada tão cheio
de um vácuo repleto de espelhos

em  letras inteiras tropeço
e,  meias palavras, arremesso