há um tanto de horas
onde as flores não abrem-se
onde só pétalas secas
riscam o agora
numa síncope dos olhos
um tempo suspenso, cala-se,
e a espera sem ida ou volta
suspira em um único nome
perdem-se passado e presente
na linha tênue desse hoje tão oco
numa primavera que só existe
tão distante e lá fora...
e vem o cheiro
e vem o gosto
nessa saudade
sem toques...
há um tanto de horas
onde um estéril silêncio conspira
com quem já foi embora
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
sábado, 9 de novembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
sem pressa
hesita a primavera
ainda nos braços do inverno
esse amor tardio
pede ao sabiá
a trilha sonora, ronrona
demora, ela, a primavera
esquecida da labuta
de amarelo o dia não pinta
só quer cinza e cinzas...
tão vadia
nega o quente do hálito
esconde o vermelho dormente
é primavera
perdeu-se entre os beijos
de tão frio amante
indecente...
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
arde
estranho
sentir a palavra falha
no verso que fala
e... sem saída
num soluço
afogar letra à letra
o que já foi, história
estranho
o naufrágio das chamas
na poesia que arde
e sem entrelinhas
arde
e arde...
sentir a palavra falha
no verso que fala
e... sem saída
num soluço
afogar letra à letra
o que já foi, história
estranho
o naufrágio das chamas
na poesia que arde
e sem entrelinhas
arde
e arde...
terça-feira, 5 de novembro de 2013
do saber
pingava
feito fio
feito arrepio
cerzia
feito letra
feito leito
embaraçava
as costas no beijo
e a língua na poesia
maestria
feito fio
feito arrepio
cerzia
feito letra
feito leito
embaraçava
as costas no beijo
e a língua na poesia
maestria
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
domingo, 20 de outubro de 2013
insípido...
lamento o verbo
esse que asas, enverga,
e cala-se, inerte...
sem rosto
sem resposta
sem restos
só uma palavra
sob um céu de nadas
sobre um solo infértil...
e nasce
e morre
sem ter nome...
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
despedida
já não me servem
as palavras de sempre
visto-me de instantes
e
na inconstância
rasgo o que foi ontem...
as palavras de sempre
visto-me de instantes
e
na inconstância
rasgo o que foi ontem...
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
22
1.
ensaio de vida-
tantos gorjeios à deriva
em meio ao cinza
2.
esperando o sol
esconde-se a primavera
sob o manto da chuva
3.
acalentam-se os olhos-
entre as águas do tempo
florescem cores
terça-feira, 1 de outubro de 2013
miragem
ontem doíam-me as entrelinhas
hoje, doem-me as palavras
essas a extirparem os quases
amanhã, quiçá, uma poesia
rouca e perdida nas contas
grite fora do tempo, saudades
e... me lembrarei
dos erros nos versos
dos erros nas metáforas
dos tantos "quem sabe"
assim
responderei à poesia
esqueça, não foi nada
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