sexta-feira, 15 de novembro de 2013

das perdas

há um tanto de horas
onde as flores não abrem-se
onde só pétalas secas
riscam o agora

numa síncope dos olhos
um tempo suspenso, cala-se,
e a espera sem ida ou volta
suspira em  um único nome

perdem-se passado e presente
na linha tênue desse hoje tão oco
numa primavera que só existe
tão distante e lá fora...

e vem o cheiro
e vem o gosto
nessa saudade
sem toques...

há um tanto de horas
onde um estéril silêncio conspira
com quem já foi embora


sábado, 9 de novembro de 2013

24

vozes ao longe
embalam o sono da tarde
sussurram os pássaros

e sonham as árvores

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

sem pressa


hesita a primavera
ainda nos braços do inverno
esse amor tardio

pede ao sabiá
a trilha sonora, ronrona
demora, ela, a primavera

esquecida da labuta
de amarelo o dia não pinta
só quer cinza e cinzas...

tão vadia
nega o quente do hálito
esconde o vermelho dormente

é primavera
perdeu-se entre os beijos
de tão frio amante

indecente...

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

arde

estranho
sentir a palavra falha
no verso que fala

e... sem saída

num soluço
afogar  letra à letra
o que já foi, história

estranho
o naufrágio das chamas
na poesia que arde

e sem entrelinhas

arde
e arde...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

do saber

pingava
feito fio
feito arrepio

cerzia
feito letra
feito leito

embaraçava
as costas no beijo
e a língua na poesia

maestria

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

23


inquieta segunda
entre o vai e vem das portas
apressa as horas

domingo, 20 de outubro de 2013

insípido...


lamento o verbo
esse que asas, enverga,
e cala-se, inerte...

sem rosto
sem resposta
sem restos

só uma palavra
sob um céu de nadas
sobre um solo infértil...

e nasce
e morre
sem ter nome...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

despedida

já não me servem
as palavras de sempre
visto-me de instantes

e
na inconstância
rasgo o que foi ontem...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

22


1.
ensaio de vida-
tantos gorjeios à deriva
em meio ao cinza

2.
esperando o sol
esconde-se a primavera
sob o manto da chuva

3.
acalentam-se os olhos-
entre as águas do tempo
florescem cores

terça-feira, 1 de outubro de 2013

miragem


ontem doíam-me as entrelinhas
hoje, doem-me as palavras
essas a extirparem os quases

amanhã, quiçá, uma poesia
rouca e perdida nas contas
grite fora do tempo, saudades

e... me lembrarei

dos erros nos versos
dos erros nas metáforas
dos tantos "quem sabe"

assim

responderei à poesia
esqueça, não foi nada