quarta-feira, 6 de novembro de 2013

arde

estranho
sentir a palavra falha
no verso que fala

e... sem saída

num soluço
afogar  letra à letra
o que já foi, história

estranho
o naufrágio das chamas
na poesia que arde

e sem entrelinhas

arde
e arde...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

do saber

pingava
feito fio
feito arrepio

cerzia
feito letra
feito leito

embaraçava
as costas no beijo
e a língua na poesia

maestria

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

23


inquieta segunda
entre o vai e vem das portas
apressa as horas

domingo, 20 de outubro de 2013

insípido...


lamento o verbo
esse que asas, enverga,
e cala-se, inerte...

sem rosto
sem resposta
sem restos

só uma palavra
sob um céu de nadas
sobre um solo infértil...

e nasce
e morre
sem ter nome...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

despedida

já não me servem
as palavras de sempre
visto-me de instantes

e
na inconstância
rasgo o que foi ontem...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

22


1.
ensaio de vida-
tantos gorjeios à deriva
em meio ao cinza

2.
esperando o sol
esconde-se a primavera
sob o manto da chuva

3.
acalentam-se os olhos-
entre as águas do tempo
florescem cores

terça-feira, 1 de outubro de 2013

miragem


ontem doíam-me as entrelinhas
hoje, doem-me as palavras
essas a extirparem os quases

amanhã, quiçá, uma poesia
rouca e perdida nas contas
grite fora do tempo, saudades

e... me lembrarei

dos erros nos versos
dos erros nas metáforas
dos tantos "quem sabe"

assim

responderei à poesia
esqueça, não foi nada

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

primavera


coberta de névoas
tal qual sinuosa virgem
debuta a primavera

um beijo do sol, espera



domingo, 22 de setembro de 2013

ouço...


ouço a morte
na boca da vida

ouço facas
na mentira que afaga

ouço o veneno
no doce da lingua

ouço um caminho
que foi e não volta

ouço dos olhos
a lágrima que sabe

e penso
e páro...

e ouço enfim
um pouco de mim...

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

descaso

há  muros
cercando  palavras

onde andarilham os olhos
buscando uma fuga

e um nada acontece

há uma face, lá fora
de tijolos, cimento e facas

onde em riste
nãos florescem em chaves

e um nada oferece...