e se fosse dos lábios
a palavra que fere e mata
cegaria meus ouvidos
entre névoas e delírios
não é....
é nas entrelinhas
dos olhos, das sombras e dos dias
onde semeiam-se metáforas
que colho a palavra adaga
e dela, bebo
e dela, alimento-me
e nela engulo-me
e nela agonizo
dúvida
dúvida
dúvida
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
terça-feira, 20 de agosto de 2013
só...
não há poesia
nessa volta minha
ao casulo
se entrelinhas regurgito
são de estranhos versos
dos quais, fujo...
palavras
sangram garganta adentro
e abortam-se sem rumo
nem em olhos
nem em sonhos
nem em sono
só...
voa e voa
sem mim, a poesia...
nessa volta minha
ao casulo
se entrelinhas regurgito
são de estranhos versos
dos quais, fujo...
palavras
sangram garganta adentro
e abortam-se sem rumo
nem em olhos
nem em sonhos
nem em sono
só...
voa e voa
sem mim, a poesia...
sábado, 22 de junho de 2013
inverno
escorre
líquido amniótico,
entre os ossos das árvores
sobre a lápide do outono
brota o inverno
e na posse
de corpos e do tempo
leva o que foi ontem,
lava o que foi verde
esfria o que foi quente
em dedos muitos
traz o arrepio do abraço
arrepio que trinca os dentes
e sem pressa, sem vestes
planta na boca, o silêncio
e se nada além quisesse
mas quer... e quase mudo
rasga a pele do orvalho
numa gota ainda viva
derrama seu sêmen
em gelo, geme...
domingo, 16 de junho de 2013
quarta-feira, 12 de junho de 2013
silêncio
há na palavra ainda feto
o embargo dos dentes, da lingua
da voz, do medo... ( da resposta )
o embargo dos dentes, da lingua
da voz, do medo... ( da resposta )
quinta-feira, 6 de junho de 2013
devoção...
inocentes folhas
ao vento entregam suas vértebras
quebram-se, esfarelam-se
ainda assim,
a ele devotam suas almas
e em seu mãos, morrem...
ao vento entregam suas vértebras
quebram-se, esfarelam-se
ainda assim,
a ele devotam suas almas
e em seu mãos, morrem...
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Poesia...
e se não for vadia, indecente
promíscua não há de ser poesia
as palavras que perfilam-se frias
a poesia?
há de escorrer quente pelos dedos
em folhas brutas, brancas ou sujas
inebriar josés, judas, genis e marias
e em noites e em dias, gritar
a olho nu seu corpo ardente
por mãos sedentas de entrelinhas
insaciável prostituta
no exercício de sua essência
em leitos amigos e inimigos, deita-se
por gosto, com gosto
não esgota-se, não medra-se
adapta-se ao gênero, ao sexo
ah, poesia...
tão mãe, amante, filha
ainda que tenha dono
bebe de outros vinhos
bem-me-quer, mal-me quer
baila e fala, às vezes é retrato...
e... com almas, acasala-se
chora, ri, amaldiçoa, dói
doa-se, abençoa... enfurece-se
ama, ama e ama...
sempre pura, poesia...
promíscua não há de ser poesia
as palavras que perfilam-se frias
a poesia?
há de escorrer quente pelos dedos
em folhas brutas, brancas ou sujas
inebriar josés, judas, genis e marias
e em noites e em dias, gritar
a olho nu seu corpo ardente
por mãos sedentas de entrelinhas
insaciável prostituta
no exercício de sua essência
em leitos amigos e inimigos, deita-se
por gosto, com gosto
não esgota-se, não medra-se
adapta-se ao gênero, ao sexo
ah, poesia...
tão mãe, amante, filha
ainda que tenha dono
bebe de outros vinhos
bem-me-quer, mal-me quer
baila e fala, às vezes é retrato...
e... com almas, acasala-se
chora, ri, amaldiçoa, dói
doa-se, abençoa... enfurece-se
ama, ama e ama...
sempre pura, poesia...
terça-feira, 4 de junho de 2013
covardia...
tenho trancado meus sonhos
em gavetas de erros, deles um medo
encarar de frente, meus segredos
em noites negras, ouço-os
intoxicados de nãos, vivos ainda
imploram um fim, um sim...
um sim de mim?
um sim quase fóssil?
um sim sem fim?
ignoro-os,
tão pouco, em cacos, tão pó
nada faço, nada posso, afasto-me
alcanço, logo ali,
os calcanhares do dia (que zombaria )
a susurrar-me baixinho, covardia...
em gavetas de erros, deles um medo
encarar de frente, meus segredos
em noites negras, ouço-os
intoxicados de nãos, vivos ainda
imploram um fim, um sim...
um sim de mim?
um sim quase fóssil?
um sim sem fim?
ignoro-os,
tão pouco, em cacos, tão pó
nada faço, nada posso, afasto-me
alcanço, logo ali,
os calcanhares do dia (que zombaria )
a susurrar-me baixinho, covardia...
domingo, 2 de junho de 2013
é...
é da dor o crepúsculo
o nó no peito, a cor escura
olhos que já não buscam
um nada junto a outro nada
mãos dadas num fio que separa
e... na boca, palavras fantasmas
é da alma, o crepúsculo
é no espelho, a luz apagada
é da carne, a morte, anunciada
silenciosa morte
num átimo do que não houve
num quase ainda vivo, estica-se
é da faca o crepúsculo
sangria em tons púrpura
num tempo, que sempre, urge
o nó no peito, a cor escura
olhos que já não buscam
um nada junto a outro nada
mãos dadas num fio que separa
e... na boca, palavras fantasmas
é da alma, o crepúsculo
é no espelho, a luz apagada
é da carne, a morte, anunciada
silenciosa morte
num átimo do que não houve
num quase ainda vivo, estica-se
é da faca o crepúsculo
sangria em tons púrpura
num tempo, que sempre, urge
quarta-feira, 29 de maio de 2013
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