quarta-feira, 29 de maio de 2013

instinto

e vem a lingua do vento...
desembaraça, acaricia, arrepia
e elas, as folhas, gritam

terça-feira, 28 de maio de 2013

penas...


destemperado outono
em pele e em pólos se alterna
ora deus, ora verme

no meio do caminho
entre o verde e o amarelo
tira os sapatos, esfarela-se

nem é ontem, nem é hoje
pendurado nos ossos das árvores
enfia-se na língua dos pássaros

pia, o outono, pia...
sob as lágrimas do tempo
estica suas asas e chora...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

pa la vras...

marcham palavras minhas
rumo ao caos, rumo ao abismo
rumo ao cinza, rumo aos ais

marcham
e voltam...

no abraço da língua ( que cala-se)
no beijo dos dedos ( em lágrimas)
na letra muda ( que fala )

voltam...
tortas, mancas e cegas

em linhas
 em versos
 em poesia

domingo, 12 de maio de 2013

21

no colo das mães
entre vidas, idas e vindas
adormece o domingo

segunda-feira, 29 de abril de 2013

ao nada...

enquanto passeiam meus olhos
esvai-se o tempo, o tempo do outono
o tempo dos sonhos, o tempo lá fora

escorrem-me horas...

sexta-feira, 12 de abril de 2013

uiva...

e uiva a noite tão longa
com se viúva fosse, a noiva
ainda verde, prematura-se

num canto, seus pés acesos
pisam os filhos,  do medo...
ventres insones, segredam

nos céus, azuis do avesso
suas mãos cheias de letras
em nuvens plantam espelhos

e uiva, e ainda assim uiva
tão noiva, tão morte, tão vida
em pés, em mãos, em ventres

uiva a noite...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

e...

se me falam as letras
é dos olhos, a língua
a tecer delas, o som...

domingo, 7 de abril de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

peco...

das palavras que se vestem
fogem-me os olhos, anseio outras
adentro, sempre adentro dos retalhos

à cada pedaço delas, aboncanhado
mais fundo desço, mais negro bebo
e mais doem, mais ardem, mais caem...

e se não há costuras, vestes
nem ritos, nem anéis, nem laços
não há rezas, preces e esperas

e em letras, peco...

quarta-feira, 27 de março de 2013

morro...

se vertessem sonhos as paredes
pereceriam de sede e secas,  as minhas...
onde bato e rebato tão somente escárnios

dessas tantas pústulas em vida
a arrastarem-se em busca de janelas
sangro eu, dos seus gritos, outros ritos

e se sangro, e se bebo, e se verto
derramo o preço, afogo das letras
esses ousados olhos de desejos

presa em passos que não se acabam
nem portas, frestas ou réstias restam-me
pobres paredes, pobres letras, esperam...

e morrem e morro...