segunda-feira, 29 de abril de 2013

ao nada...

enquanto passeiam meus olhos
esvai-se o tempo, o tempo do outono
o tempo dos sonhos, o tempo lá fora

escorrem-me horas...

sexta-feira, 12 de abril de 2013

uiva...

e uiva a noite tão longa
com se viúva fosse, a noiva
ainda verde, prematura-se

num canto, seus pés acesos
pisam os filhos,  do medo...
ventres insones, segredam

nos céus, azuis do avesso
suas mãos cheias de letras
em nuvens plantam espelhos

e uiva, e ainda assim uiva
tão noiva, tão morte, tão vida
em pés, em mãos, em ventres

uiva a noite...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

e...

se me falam as letras
é dos olhos, a língua
a tecer delas, o som...

domingo, 7 de abril de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

peco...

das palavras que se vestem
fogem-me os olhos, anseio outras
adentro, sempre adentro dos retalhos

à cada pedaço delas, aboncanhado
mais fundo desço, mais negro bebo
e mais doem, mais ardem, mais caem...

e se não há costuras, vestes
nem ritos, nem anéis, nem laços
não há rezas, preces e esperas

e em letras, peco...

quarta-feira, 27 de março de 2013

morro...

se vertessem sonhos as paredes
pereceriam de sede e secas,  as minhas...
onde bato e rebato tão somente escárnios

dessas tantas pústulas em vida
a arrastarem-se em busca de janelas
sangro eu, dos seus gritos, outros ritos

e se sangro, e se bebo, e se verto
derramo o preço, afogo das letras
esses ousados olhos de desejos

presa em passos que não se acabam
nem portas, frestas ou réstias restam-me
pobres paredes, pobres letras, esperam...

e morrem e morro...

quinta-feira, 21 de março de 2013

boicote...

há noites em que sou colo,
de minhas poesias que sangram,
palavras protejo

não escrevo...

segunda-feira, 18 de março de 2013

simples...

e então te deixei assim
enterrado, ao meio, sem fim
sem paredes e janelas, sem mim...

sábado, 16 de março de 2013

saudades...

há na lágrima
desses olhos meus
um resto teu...

pedacinhos insones
a levantarem mãos
em abertas criptas

e se vive esse pretérito,
não fenece em minhas iris
a saudade, sempre, tua

e se escorre-me em água, o futuro,
crava-me num concreto e infinito luto
um vazio presente sem rumo...

quinta-feira, 14 de março de 2013

poeto...

antes da letra
a pele

antes da palavra
a metáfora

antes do verbo
a verve

antes do verso
o poeta

antes da entrelinha
a poesia...