se me fizesse apenas útero
num manancial de contrações
expeliria palavras diuturnamente
quem sabe já o seja
e num cículo vicioso, de meus olhos
palavras grávidas, geste e sangre
geste e sangre
sexta-feira, 8 de março de 2013
quinta-feira, 7 de março de 2013
círculos..
se eu desistir
e descer na próxima esquina
cascas intimas e minhas,
finja que não me conhece
passe por elas sua ironia,
corte aos poucos - meu corpo -
sorria...
e como se nada te dissesse
minhas voltas e idas,
sem mim, vista-se, prossiga
fico eu ao meio, nua
sem começo e fim
sem pele ou carne
caminho
e descer na próxima esquina
cascas intimas e minhas,
finja que não me conhece
passe por elas sua ironia,
corte aos poucos - meu corpo -
sorria...
e como se nada te dissesse
minhas voltas e idas,
sem mim, vista-se, prossiga
fico eu ao meio, nua
sem começo e fim
sem pele ou carne
caminho
segunda-feira, 4 de março de 2013
20
1.
quase estatueta
estuda o gato sua presa
arrepia-se a borboleta
2.
em guarda o felino
finge ser do sono sua sina
de orelhas em riste
3.
languidamente
pêlos e patas pela casa
destilam monarquia
sábado, 2 de março de 2013
veneno...
enquanto esconde-se a tarde
entre as sombras deslocam-se
os olhos meus aos teus varais...
já não há entre os teus fios
palavras verdes em tons de mais
ou quase versos buscando cais
e aqueles nossos sóis
deitaram-se de costas, sem nós
adormeceram sem laços, sós...
nessa tua fuga em névoas
acinzentam-se minhas horas
suicidam-se minhas esperas
enquanto esconde-se a noite
ao som das tuas facas, enveneno-me
no teu silêncio que fala e fala...
entre as sombras deslocam-se
os olhos meus aos teus varais...
já não há entre os teus fios
palavras verdes em tons de mais
ou quase versos buscando cais
e aqueles nossos sóis
deitaram-se de costas, sem nós
adormeceram sem laços, sós...
nessa tua fuga em névoas
acinzentam-se minhas horas
suicidam-se minhas esperas
enquanto esconde-se a noite
ao som das tuas facas, enveneno-me
no teu silêncio que fala e fala...
sexta-feira, 1 de março de 2013
tempo...
o tempo tem me cobrado
em cacos, as horas que dele uso
o tempo tem me ofertado
navalhas, uma paga às minhas faces
o tempo tem me dito coisas
cortado aos poucos, o fio do meu umbigo
o tempo tem brincado comigo
como se dele fossem, minhas raízes
o tempo, ao tempo, sem tempo
líquido escorre, de mim, foge...
em cacos, as horas que dele uso
o tempo tem me ofertado
navalhas, uma paga às minhas faces
o tempo tem me dito coisas
cortado aos poucos, o fio do meu umbigo
o tempo tem brincado comigo
como se dele fossem, minhas raízes
o tempo, ao tempo, sem tempo
líquido escorre, de mim, foge...
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
sujo
onde latem os cães
mordem e moram manhãs
dores com gosto de maçãs
que dos cães
não é a culpa, sentem
relatam, feridas, sem cura
no uivo, onde o sol
surge, há o arranhar de unhas
lamentos à vidas que urgem
se das maçãs
é o engodo, do gosto
são as dores em vermelho
se dos cães
são os lamentos, da manhã
são as dores em carne nua
se do sol
são os uivos, das unhas
são as vidas que urgem
e surgem
e urgem
e surgem
e uivam
sujam-se...
mordem e moram manhãs
dores com gosto de maçãs
que dos cães
não é a culpa, sentem
relatam, feridas, sem cura
no uivo, onde o sol
surge, há o arranhar de unhas
lamentos à vidas que urgem
se das maçãs
é o engodo, do gosto
são as dores em vermelho
se dos cães
são os lamentos, da manhã
são as dores em carne nua
se do sol
são os uivos, das unhas
são as vidas que urgem
e surgem
e urgem
e surgem
e uivam
sujam-se...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
dos erros...
Porque andava cansada de mim mesma, resolvi me dar um tempo. Desci no primeiro ponto, à primeira página do dia. Entre as letras já escritas e àquelas a serem debulhadas, a dúvida: Contentar-me ao rodapé ou fechar de vez o livro. Não me caberia ouvir nenhuma outra pessoa, não me caberia nem ouvir a mim mesma.
Cansada, cansada de todas as minhas desculpas, de minhas letras, das mesmas músicas, da luta...
Nem ao rodapé, nem fechar o livro. Fechar implicaria em reabrí-lo em qualquer momento. Ao rodapé, de joelhos, espiaria ainda que não estivesse no meio da folha.
Já conhecia esse roteiro, já conhecia o desfecho. Bobagem insistir, em protelar o inevitável, ainda que fosse para alguns memorável assinar o epilogo.
Mas, o livro existia, estava ali incrustado à minha carne, tatuado em minha alma. Se resolvesse folhear suas páginas talvez encontrasse algum trecho que tenha me passado desapercebido. O que acho quase impossível. Não, não adiantaria insistir ali entre as letras acariciar, chorar ou sorrir. Tudo terminaria no vácuo e sem eco. Novamente. Ideia mentecapta querer ler o que já havia escrito.
Não tinha esse vício. Não teria esse vício. Escrito estava, nem o tempo, nem os dedos modificariam os dias e as palavras.
Restava decidir-me em continuar nesse conto que ninguém aumentava um ponto ou desistir. Palavra de alto teor: desistir. Pensemos em outra menos catastrófica, menos piegas, apelemos para um expressão em uso: "Mudemos o foco". Não desistir, mudar.
Mas eis-me de olhos fixos no mesmo parágrafo que em labirintos vai e volta, vai e volta, não solta-se, não sobe, não desce, não vive e não morre. Vai e volta. Esse parágrafo de uma nota só, toada em mantra, quase um vômito a engolir de mim a vontade de chutar essas letras e seguir outra prosa. Como se pétala seca e sem cheiro fosse estaquei em meio à folhas verdes, cheias de fungos e musgo e não me mudo. Espero, espero, espero... Ninguém aparece para debulhar essas páginas e derrubar-me ao chão livrando-me dessa incômoda paralisia do orgulho.
Lembro-me sem a nitidez necessaria de ter descido degrau a degrau palavras antes desse encravado capítulo e em ato falho ( novamente desculpas esfarrapadas uso ) cá estou como uma mariposa debatendo-me de encontro a luz até que ceguem-me os desejos e queimem-me os erros. Maldito livro, maldito capítulo.
Não desço, não tranco esse livro meu, não guardo-me, não descanso em rodapés, desisto de mim mesma, dou-me as costas, dou-me o desprezo. Não ao espelho, não aos meus apelos. Desisto. Encalhei nessa lama desse drama. Nem portas, nem janelas enxergo. Minto e minto cada vez que digo que a luz no fundo do poço é minha. Tenho medo, acovardo-me, fujo. Não há em mim nenhum rasgo de dignidade que me impeça de entre as linhas de minhas fissuras plantar tantos erros... Leio-me, absurdos teço, não mudo o foco do texto.
Cansada, cansada de todas as minhas desculpas, de minhas letras, das mesmas músicas, da luta...
Nem ao rodapé, nem fechar o livro. Fechar implicaria em reabrí-lo em qualquer momento. Ao rodapé, de joelhos, espiaria ainda que não estivesse no meio da folha.
Já conhecia esse roteiro, já conhecia o desfecho. Bobagem insistir, em protelar o inevitável, ainda que fosse para alguns memorável assinar o epilogo.
Mas, o livro existia, estava ali incrustado à minha carne, tatuado em minha alma. Se resolvesse folhear suas páginas talvez encontrasse algum trecho que tenha me passado desapercebido. O que acho quase impossível. Não, não adiantaria insistir ali entre as letras acariciar, chorar ou sorrir. Tudo terminaria no vácuo e sem eco. Novamente. Ideia mentecapta querer ler o que já havia escrito.
Não tinha esse vício. Não teria esse vício. Escrito estava, nem o tempo, nem os dedos modificariam os dias e as palavras.
Restava decidir-me em continuar nesse conto que ninguém aumentava um ponto ou desistir. Palavra de alto teor: desistir. Pensemos em outra menos catastrófica, menos piegas, apelemos para um expressão em uso: "Mudemos o foco". Não desistir, mudar.
Mas eis-me de olhos fixos no mesmo parágrafo que em labirintos vai e volta, vai e volta, não solta-se, não sobe, não desce, não vive e não morre. Vai e volta. Esse parágrafo de uma nota só, toada em mantra, quase um vômito a engolir de mim a vontade de chutar essas letras e seguir outra prosa. Como se pétala seca e sem cheiro fosse estaquei em meio à folhas verdes, cheias de fungos e musgo e não me mudo. Espero, espero, espero... Ninguém aparece para debulhar essas páginas e derrubar-me ao chão livrando-me dessa incômoda paralisia do orgulho.
Lembro-me sem a nitidez necessaria de ter descido degrau a degrau palavras antes desse encravado capítulo e em ato falho ( novamente desculpas esfarrapadas uso ) cá estou como uma mariposa debatendo-me de encontro a luz até que ceguem-me os desejos e queimem-me os erros. Maldito livro, maldito capítulo.
Não desço, não tranco esse livro meu, não guardo-me, não descanso em rodapés, desisto de mim mesma, dou-me as costas, dou-me o desprezo. Não ao espelho, não aos meus apelos. Desisto. Encalhei nessa lama desse drama. Nem portas, nem janelas enxergo. Minto e minto cada vez que digo que a luz no fundo do poço é minha. Tenho medo, acovardo-me, fujo. Não há em mim nenhum rasgo de dignidade que me impeça de entre as linhas de minhas fissuras plantar tantos erros... Leio-me, absurdos teço, não mudo o foco do texto.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
derrota
tem de mim o gosto da derrota
nessas minhas sobras, tão rotas
nessa minha língua, sem resposta
nesses meus olhos, absortos
são perdas, são pedras que carrego
amarro e não deixo pelo caminho
e em minhas costas despejo passos
em pretéritos em vias de parto
e nada fica, nada vai, nada vem
numa vendaval mudo e estático
prendo-me em falsos casulos
afasto-me da água morta e limpa
e se morro de sede
embrulhada em minhas palavras
envenenados entre verbos e frases
perecem os dias de minhas metáforas
amorroto meus sonhos
desgosto meu ventre
apago minhas cruzes
derroto-me...
nessas minhas sobras, tão rotas
nessa minha língua, sem resposta
nesses meus olhos, absortos
são perdas, são pedras que carrego
amarro e não deixo pelo caminho
e em minhas costas despejo passos
em pretéritos em vias de parto
e nada fica, nada vai, nada vem
numa vendaval mudo e estático
prendo-me em falsos casulos
afasto-me da água morta e limpa
e se morro de sede
embrulhada em minhas palavras
envenenados entre verbos e frases
perecem os dias de minhas metáforas
amorroto meus sonhos
desgosto meu ventre
apago minhas cruzes
derroto-me...
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
castigo
se eu não me mexer
se fingir que não vejo
talvez não doam e pereçam
minhas poesias e desejos...
se eu em estátua
em água verter-me
talvez salve meu sal
e cicatrize meus erros
mas se teimosas
minhas palavras, trairem-me
e arrepiarem meu ritmos
desmancharei-me em vida
num esquartejamento dos olhos
serei minha carrasca, meu deboche
e no riso que lambe o chão que piso
deitarei minha alma, sem rimas...
se fingir que não vejo
talvez não doam e pereçam
minhas poesias e desejos...
se eu em estátua
em água verter-me
talvez salve meu sal
e cicatrize meus erros
mas se teimosas
minhas palavras, trairem-me
e arrepiarem meu ritmos
desmancharei-me em vida
num esquartejamento dos olhos
serei minha carrasca, meu deboche
e no riso que lambe o chão que piso
deitarei minha alma, sem rimas...
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