se eu não me mexer
se fingir que não vejo
talvez não doam e pereçam
minhas poesias e desejos...
se eu em estátua
em água verter-me
talvez salve meu sal
e cicatrize meus erros
mas se teimosas
minhas palavras, trairem-me
e arrepiarem meu ritmos
desmancharei-me em vida
num esquartejamento dos olhos
serei minha carrasca, meu deboche
e no riso que lambe o chão que piso
deitarei minha alma, sem rimas...
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Disciplina...
Tenho pensado em deixar as poesias de lado por um tempo ou não dedicar todo o meu tempo a esse prazer e debruçar-me sobre os contos e crônicas, algo mais concreto, menos lírico. Falta-me disciplina, a mesma disciplina ausente em outras áreas de minha vida. Trabalhos manuais inacabados. Promessas suspensas. Gavetas abarrotadas de desculpas que já não aguentam-se sozinhas.
Escrever poesias, poetrix, haikais é para mim um gosto, quase vício. Divago, não tenho regras ou metas. Simplesmente escrevo. Mas sei que são metáforas de minha propria vida. Essa vida que venho enrolando, que venho chutando pra lá e pra cá feito uma estrela que caiu aos meus pés, que pés?
É de suspirar essa minha dificuldade em sair do lugar e atrelar o tempo e dizer: "Estou no controle, vamos." Sem que ele estremeça de medo de minha subjetividade. Mas cá estou entre um site e outro e comemoro, escrevi de madrugada sem ser um poema à insônia.
Não, não, não estou desmerecendo as poesias. Estou me policiando, começando por controlar minha compulsão pelos versos e estendendo-a outros textos. Acredito que seja um bom começo esse.
Num texto anterior escrevi sobre almejar algumas mudanças. Não esperarei pelo aniversario. Ou tentarei não esperar. Fixar uma data ainda que não muito distante, parece-me que seja mais uma forma de protelar e adiar um movimento para onde quero ir. Mais do que crônicas e contos, preciso administrar-me com mais segurança. Não estar à deriva como tenho feito.
Estou tentando, estou tentando... Quem sabe um conto ou uma crônica por semana esteja de bom tamanho para que torne-me mais racional, mais equilibrada.
É isso...
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
eu sei...
eu sei do que ele gosta
sei das suas propostas
conheço suas respostas
eu sei, o que pensa
sei que não tem pressa
conheço dele, as mazelas
eu sei o que não posso
sei dos meus desgostos
conheço dele, outros rostos..
sabendo disso tudo
ainda assim não fujo
ainda assim me iludo
e sabendo que isso é pouco
ainda assim, dele, rezo o nome
ainda assim, dele, velo, o sono...
e a ele, lanço versos
mostro minhas estrelas
espero sóis e letras
e dele, pinço madrugadas
finjo outras cascas e palavras
sigo rastros, junto cacos...
sei das suas propostas
conheço suas respostas
eu sei, o que pensa
sei que não tem pressa
conheço dele, as mazelas
eu sei o que não posso
sei dos meus desgostos
conheço dele, outros rostos..
sabendo disso tudo
ainda assim não fujo
ainda assim me iludo
e sabendo que isso é pouco
ainda assim, dele, rezo o nome
ainda assim, dele, velo, o sono...
e a ele, lanço versos
mostro minhas estrelas
espero sóis e letras
e dele, pinço madrugadas
finjo outras cascas e palavras
sigo rastros, junto cacos...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Dos pesos...
Mês que vem faço aniversario. Mais um. Só mais uma pessoa a acumular anos, a encher gavetas e a cansar a carne no dia à dia em que nos enfiamos desde que somos concebidos. Já tive dúvidas quanto ao momento em que passamos a existir. Hoje, sei que nossas vidas são vidas desde o primeiro minuto que deixamos de ser óvulo e espermatozóide para sermos um ser único. Desse ponto passamos por fases e mais fases, ciclos e mais ciclos até que deixemos a carne novamente. Esse depois, é misterio. Vejo, pressinto, mas certeza... Quem a tem?
Não gosto de datas comemorativas, Natais, Páscoas, Anos Novos... São fardos a carregar, fardos abertos nas datas aclamadas e embrulhados de novo. Trancafiados e longe dos olhos até o próximo ano. Pesam e pesam em armários já abarrotados de gritos, sorrisos, cobranças, desafios e tropeços...
Mas farei aniversario, mais uma vez... Se pudesse ausentaria-me de mim mesma nessas vinte e quatro horas marcadas em uma única data em meus anos para acordar e nascer mais velha no dia seguinte. Mas não será possível. Resta-me desde já começar a me programar e esvaziar esse fardo para que no ano seguinte pesem menos meus erros e meus lixos escondidos em minhas frestas.
Amamentei-me da vida, e eis, que por mais que debata-me sou o fruto de minha concepção, da concepção de outros e da concepção que agarra-se às minhas costas enfiando-me goela abaixo o que chamam de destino. Mas há coisas que posso fazer. Posso cuidar da concepção que meus olhos têm e algumas vezes não revelam-me do que faço, do que deveria ter feito, do que fingi que tentei fazer e do que realmente fiz. São minhas escolhas. Não há mais tempo para fugir do miolo de certas escolhas. Escolhas que de tão erradas estão a esfarelar-se na tentativa minha de salvar o que não tem salvação aumentando assim o peso de meus fardos.
Tão apaixonada sou por algumas dessas escolhas erradas e obesas que desde já sinto fome e sinto o peso da abstinência, mas sei que são necessarias. Não cabem mais em meus porões o vômito caído de minhas frestas sobre minha alma... A carne debate-se, mas essa minha alma precisa de um banho e de um regime. Quem sabe, sinta-se mais uma vez parida novamente... De olhos recém nascidos e limpos, sem máscaras.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
das secas...
em noites frígidas
pedaços de palavras rasgam-se
e morrem, sem da poesia, ter abrigo...
domingo, 10 de fevereiro de 2013
rito...
porque de erros em riste
marcham minhas letras
fúnebres, com caras e facas
de poucos amigos, riem...
não as censuro, faço
o mea culpa, absurdo
crer ainda nas palavras
que espasmam-se nuas
mergulhadas palavras
num tempo sem cura
numa crônica vazia
num verso sem rima
nessas palavras vadias
enredo-me eu em punhais
não os meus, os teus,
mais vis, mais viscerais...
e acordo dependurada
num fio de entrelinhas
sem sóis, sem rimas
equilibrista em ruinas...
sem quandos ou porquês,
despeço-me de minhas letras
ao suicídio, mudas caminham
sem eco, sem filhos e sem espelho...
marcham minhas letras
fúnebres, com caras e facas
de poucos amigos, riem...
não as censuro, faço
o mea culpa, absurdo
crer ainda nas palavras
que espasmam-se nuas
mergulhadas palavras
num tempo sem cura
numa crônica vazia
num verso sem rima
nessas palavras vadias
enredo-me eu em punhais
não os meus, os teus,
mais vis, mais viscerais...
e acordo dependurada
num fio de entrelinhas
sem sóis, sem rimas
equilibrista em ruinas...
sem quandos ou porquês,
despeço-me de minhas letras
ao suicídio, mudas caminham
sem eco, sem filhos e sem espelho...
sábado, 9 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
eclipse...
fecham-se os pássaros
fecham-se os sóis
fecham-se as vozes
lamenta o cão
a anunciada solidão
travam-se as mãos
choram as lágrimas
pela poesia ainda
não amamentada
fecham-se as horas
fecham-se as palavras
fecham-se os olhos...
fecham-se os sóis
fecham-se as vozes
lamenta o cão
a anunciada solidão
travam-se as mãos
choram as lágrimas
pela poesia ainda
não amamentada
fecham-se as horas
fecham-se as palavras
fecham-se os olhos...
domingo, 3 de fevereiro de 2013
sábado, 2 de fevereiro de 2013
infinito...
os gritos que em nuvens morrem
caem em dormência nas portas
e das janelas abertas escorrem
nesses dias em que tudo é misterio
nem telhados abrem-se ao espelho
e tentáculos do tempo encolhem-se
há entre o céu e o inferno
estrelas penduradas em árvores
luas adormecidas em tardes
eram do ontem as esperas
são do hoje palavras e ressaca
paradoxos em mesmas horas
fossem das nuvens vivos sussurros
deitariam em redes de desejos
dias, meses, anos ainda in vitro
posto que são, mortos
nesse purgatório do tempo
eternos rastejar comem
infinitos joelhos, dobram-se
numa prece sem cor, sem volta
num cinza labirinto dos olhos...
caem em dormência nas portas
e das janelas abertas escorrem
nesses dias em que tudo é misterio
nem telhados abrem-se ao espelho
e tentáculos do tempo encolhem-se
há entre o céu e o inferno
estrelas penduradas em árvores
luas adormecidas em tardes
eram do ontem as esperas
são do hoje palavras e ressaca
paradoxos em mesmas horas
fossem das nuvens vivos sussurros
deitariam em redes de desejos
dias, meses, anos ainda in vitro
posto que são, mortos
nesse purgatório do tempo
eternos rastejar comem
infinitos joelhos, dobram-se
numa prece sem cor, sem volta
num cinza labirinto dos olhos...
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