sábado, 9 de fevereiro de 2013

flagrante...

num lapso da saudade
recém costuradas cicatrizes
abriram-se em feridas...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

eclipse...

fecham-se os pássaros
fecham-se os sóis
fecham-se as vozes

lamenta o cão
a anunciada solidão 
travam-se as mãos

choram as lágrimas
pela poesia ainda
não amamentada

fecham-se as horas
fecham-se as palavras
fecham-se os olhos...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

flerte

entreolham-se as palavras,
 concreto e abstrato, 
     enlaçam-se...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

infinito...

os gritos que em nuvens morrem
caem em dormência nas portas
e das janelas  abertas escorrem

nesses dias em que tudo é misterio
nem telhados abrem-se  ao espelho
e tentáculos do tempo encolhem-se

há entre o céu e o inferno
estrelas penduradas em árvores
luas adormecidas em tardes

eram do ontem as esperas
são do hoje palavras e ressaca
paradoxos em mesmas horas

fossem das nuvens vivos sussurros
deitariam em redes de desejos
dias, meses, anos ainda in vitro

posto que são, mortos
nesse purgatório do tempo
eternos rastejar comem

infinitos joelhos, dobram-se
numa prece sem cor, sem volta
num cinza labirinto dos olhos...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

básico ...

preciso
de uma tônica
meio crônica

nada de poesias
nem expectros
incertos letreiros

não quero
versos, fingindo
ocultos espelhos

preciso
de goles retos
e gelo nas veias

nada de imagens
entrelinhas em
músculos vermelhos

não quero
metáforas, reflexos
ou catarses

preciso
do frio básico
de um descarte...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

03:16

três e um, bocejam as horas
entre as letras de lingua de fora
perdeu, o tempo, as contas
das palavras que dormem...

três e sete, marcha o silêncio,
esse que, num bate-estaca,
não pára e não volta, dá-me as costas
ignora a trava em meus dedos...

três e nove, nada se move
nem cama, nem travesseiro
sabem de meus versos, o vazio
as desculpas e o desprezo...

três e doze, madrugam-me
os ponteiros, num bocejo,
da poesia, desisto, não gesto
hoje, sou só, devaneios...

domingo, 27 de janeiro de 2013

20



é de maria o domingo
lágrimas santificam cinzas
numa triste vigilia

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

a mais...

escrevo
em tuas paredes
meus desejos
teus espelhos

arranco
da tua carne
teu cais
teus ais

tatuo
no teu corpo
meu gosto
teu  gozo

morro
em tuas mãos
um pouco mais
e quero mais...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ao sugo...

tenho sangrado absurdos
  nos quais cravo letras
       e copulo com o luto...