quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

livre...


há amores que pesam
há os que pecam
há os que choram

há amores, diversos
em linhas,  entrelinhas
em prosa, em versos

há amores profanos
que zombam e santos
nem pouco, nem tantos

há  no amor espera,
um tango, uma despedida
epitáfio  sem  flores

há, e não quero
um quase amor mentira
agarrado em meus ombros

aborto e não ouço
das sombras e escombros,
o grito dos olhos...

parto-me, vazia,
sem amor, em prantos
mas livre...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Oras...



passam por mim
tão senhoras, as horas
que de seus olhos
os meus fogem...

são segundos
em viadutos, soberbos
rasteiros, portais
agudos ponteiros

já não me desfolham
como antes, ignoro-os
lanço aos céus
pupilas e apelos

e se me disserem
volte, à senhora
e seus escudeiros
respondo, não...

a madrugada é minha
tão longe, tão fora
voa minha alma
de poesia nas mãos...

sábado, 15 de dezembro de 2012

acaso...



amanheceram meus pensamentos
com lágrimas por dentro, ao certo
ao errado, esconderam a face

já tão amarrotadas e cansadas
esqueceram de mim, as palavras
os versos, os poemas e as poesias

havia somente essa água
inundando as portas das horas
ainda manhã, ainda entrelinhas

e essa ferida sem nome, com fome
a devorar de mim teus olhos
sem sóis, só brumas e nuvens

cega a tatear da dor, o abstrato
refém do que não sei, do que não vem...
rendo-me ao acaso, amém, amém..

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Lápide


Há essa lápide feita e esculpida e lanhada à lápis. Lápis ferino, mais fundo olho, mais fundo vejo do lápis o escârneo. Como se tivesse vida, lápis. Não havia de ser outro instrumento a cavalgar esse meu coração vazio.  Estranho cinza que me cega, que me carrega, agora. Ontem não. Ontem havia rabiscos. Bobagens escritas, bobagens de tamanhas mentiras.

Mas hoje há essa lápide, onde corro os dedos e esfrego a pele em busca de alguns riscos, de alguns risos. Bobagem, tudo que li e pensei ouvir foi feito à lápis. Não menos não mais, só promessas, alvas nuvens, vácuo.

Dia à dia, escrever e apagar, escrever e perecer. Quanto mais procuro o rosa dos lábios, mais encontro os farelos do lápis. Não, minto. Encontro vácuo e precipício cavucados com o lascivo lápis que só fez e fez desenhar miragens. Riso, riso meu. Debocho eu, sim, debocho eu de minha insensata meninez fora de hora.

E era aquele caminho parecendo cartilha, parecendo ladainha entre meus olhos e tuas imagens Fez que fez e conseguiu em minha tez, agora sim, tuas malditas grafias delinear linhas. Fizeram a tarefa de casa, mãos, dedos e lápis. Não sei se meus ou  teus, se só teus, se só meus, foram tantos delirios. Não o culpo, mas te refugo. Mal, mal, folhas e folhas sem cor, vazias, somente marcas e farpas. Nada ficou dos sonhos, nada restou, apenas fissuras secas e sem vidas, fissuras.
Lápide de uma escrita à lápis.

18



mariam as aves
enquanto a tarde se cala-
choram as almas

domingo, 9 de dezembro de 2012

incertezas...



moram em mim tantas incertezas
que sem toalhas ou versos na mesa
vertem de mim, tempo e espelho

e tanto doem os meus segredos
os cadeados e essas dúvidas
que sou deles, o elo e o fruto...

enquanto fujo, enquanto luto
mais e mais engravido medos
mais e mais aborto estrelas

 e eu, covarde

engasgo, engulo...
nesse céu que não se move
onde nada é nada e tudo é mudo

sigo a cultuar em mim tantas noites
sem que eu possa dos absurdos
escolher tardes ou luzes

moram em mim tantas perdas
sem que meus olhos, possam vê-las,
e enterrá-las no escuro de minhas letras

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

17



 no vai e vem da rede
pés tocam a boca do céu
estrelas acendem

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

das impossibilidades...

te daria o passeio 
de meus olhos por tua boca
se assim, não fosse
meu corpo, de outro....

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

prece











se são ainda verdes
as minhas preces
peço que prepares
sua terra ao pé do ouvido

e receba quando palavra
a poesia minha, ainda letra
e dela morda e beba, um naco
um pedacinho de minha essência

deixe que pincele de arrepios
essa sua nuca de quases e nuncas
permita-me sussurros e gêmidos
num passeio que ainda não veio

se são ainda verdes
os meus desejos
peço que prepares sua alma
e acolha meus devaneios...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ao meio...


num bocejo das letras
escrevo, decepo entre dedos
incrédulos segredos...