quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ao meio...


num bocejo das letras
escrevo, decepo entre dedos
incrédulos segredos...

sábado, 24 de novembro de 2012

se...



se eram do tempo
as facas da saudade
eram das mãos, letras
palavras inacabadas....

se era da agonia
o fio de um quase
era do sempre
o nunca aos pedaços

se era da ilusão
o feto ainda vivo
eram do desprezo
sonhos assassinados

se era para ser
menos do que um esperar,
morreu antes de nascer
aquela poesia no ar

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

será?



incertezas contemplo-
num tempo em olhos atrás
plantei sonhos e ais...

sábado, 27 de outubro de 2012

devaneios



então vislumbro pelos becos
o cheiro da tua poesia ainda em berço
essa mergulhada nas taças dos  teus olhos

fugidios versos a bater em janelas
pedem-me um trago à menina que escondo
ofertam-me aos dedos verdes, um pé de frases

perambulam-me na pele, palavras
emprestadas de teus labios grávidos
ávidas palavras com fome de toques

e não fossem minhas ruas sem saída
escaparia de mim uma poesia pelas frestas
brindaria a ti em festa, em líquida orgia

sinto o cheiro do teu cio em branco
lavam-me chuvas, não minhas
escorrem teus céus em quases

esses quases, fantasmas meus
quases, a um passo, a uma lingua
mas... são da lua, teus ais, tuas fases

e eu sinto, só sinto o aroma teu
o arrepio da tua poesia que anda
que passa, e nunca em mim pára...

domingo, 7 de outubro de 2012

16



1.
voto sim, voto não
são tantos os candidatos
e uma decisão

2.
outubro das urnas-
mil panfletos pelas ruas
sujam olhos e mãos

3.
títulos ao sol
marcam o tempo nas filas
é dia de eleição

domingo, 30 de setembro de 2012

Não e não...



não visto mais teu encanto
não sou dos teus olhos, o pranto

não é minha a mordida
dessa tua saudade em riste

dói-me o pensamento que cuspo
e em mim ainda, mora e persiste

não visto mais tuas  mãos
não sou dos riscos teus, delirio e grito

dói-me saber dos teus versos
o sumo, o suco, escombros e o inverso

não é meu o miolo da tua ferida
onde moram teu sol, tua terra e tua lua

não visto mais tuas saídas
não sou eu, teu vício, tua lida, tua poesia...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Cansaço...



cansada
da pele
em pétalas
dos nós,
nos pés

cansada
do pó
nos sonhos
das dores,
nos poros

cansada
do rosa
in feto
dos solos
sem flores

cansada
dos sóis
em  anzóis
dos versos
em avesso

cansada
das letras
em sangue,
no silêncio
dos dedos...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ecos...











havia mãos a sangrar
e sagrar o minuto faminto
olhos e tez do tempo

do que escorria
dedos em branco e negro
lágrimas em elos

tão pouco era pele
tão pouco era matéria
tantas eram as pérolas

só, de joelhos , alma
só, sem caminhos, nós
só, somente só, pó

arrancadas as garras
marfim sagrado, sedento
amaldiçoando momentos

benditos todos os dentes
benditos todos os ritos
santificadamente malditos

havia de colher
dores penduradas em folhas
nas linhas no avesso do espelho...

de um purgar ventre
abortar a carne tecida, vadia
parir e ouvir sinfonias

mel, dias, melodias
arias e sóis menores distantes
sonhos, ecos de um sempre...


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

16


1.
tem sede a noite
num setembro tão quente
a água faz falta

2.
na ponta dos pés
busca tocar as estrelas
a menina dos olhos

3.
pata à pata
trevos de cinco folhas
desenha o gato