sábado, 27 de outubro de 2012
devaneios
então vislumbro pelos becos
o cheiro da tua poesia ainda em berço
essa mergulhada nas taças dos teus olhos
fugidios versos a bater em janelas
pedem-me um trago à menina que escondo
ofertam-me aos dedos verdes, um pé de frases
perambulam-me na pele, palavras
emprestadas de teus labios grávidos
ávidas palavras com fome de toques
e não fossem minhas ruas sem saída
escaparia de mim uma poesia pelas frestas
brindaria a ti em festa, em líquida orgia
sinto o cheiro do teu cio em branco
lavam-me chuvas, não minhas
escorrem teus céus em quases
esses quases, fantasmas meus
quases, a um passo, a uma lingua
mas... são da lua, teus ais, tuas fases
e eu sinto, só sinto o aroma teu
o arrepio da tua poesia que anda
que passa, e nunca em mim pára...
domingo, 7 de outubro de 2012
16
1.
voto sim, voto não
são tantos os candidatos
e uma decisão
2.
outubro das urnas-
mil panfletos pelas ruas
sujam olhos e mãos
3.
títulos ao sol
marcam o tempo nas filas
é dia de eleição
domingo, 30 de setembro de 2012
Não e não...
não visto mais teu encanto
não sou dos teus olhos, o pranto
não é minha a mordida
dessa tua saudade em riste
dói-me o pensamento que cuspo
e em mim ainda, mora e persiste
não visto mais tuas mãos
não sou dos riscos teus, delirio e grito
dói-me saber dos teus versos
o sumo, o suco, escombros e o inverso
não é meu o miolo da tua ferida
onde moram teu sol, tua terra e tua lua
não visto mais tuas saídas
não sou eu, teu vício, tua lida, tua poesia...
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Cansaço...
cansada
da pele
em pétalas
dos nós,
nos pés
cansada
do pó
nos sonhos
das dores,
nos poros
cansada
do rosa
in feto
dos solos
sem flores
cansada
dos sóis
em anzóis
dos versos
em avesso
cansada
das letras
em sangue,
no silêncio
dos dedos...
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Ecos...
havia mãos a sangrar
e sagrar o minuto faminto
olhos e tez do tempo
do que escorria
dedos em branco e negro
lágrimas em elos
tão pouco era pele
tão pouco era matéria
tantas eram as pérolas
só, de joelhos , alma
só, sem caminhos, nós
só, somente só, pó
arrancadas as garras
marfim sagrado, sedento
amaldiçoando momentos
benditos todos os dentes
benditos todos os ritos
santificadamente malditos
havia de colher
dores penduradas em folhas
nas linhas no avesso do espelho...
de um purgar ventre
abortar a carne tecida, vadia
parir e ouvir sinfonias
mel, dias, melodias
arias e sóis menores distantes
sonhos, ecos de um sempre...
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
16
1.
tem sede a noite
num setembro tão quente
a água faz falta
2.
na ponta dos pés
busca tocar as estrelas
a menina dos olhos
3.
pata à pata
trevos de cinco folhas
desenha o gato
sábado, 1 de setembro de 2012
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Sem eco...
há a falta
no meio da letra
engasgo
dos dedos
salivam
palavras em vão
nos vãos,
dos desejos
sem janelas
ferem-me
as trincas
garganta adentro
não fosse
do silêncio
as vestimentas minhas
rasgaria linguas
dessas tantas
que torcem
retorcem a carne
e nada dizem
minhas,
tão minhas
línguas sem ecos
sem rimas...
sábado, 25 de agosto de 2012
Desencontros...
e assim
famélicos
meus gestos
abstinência
ingerem...
um, dois
três versos
sem nexo
indigestos,
espero
na linha
sem vida
poesia
meus dedos
ensaiam...
ao acaso
verbos
palavras
perdem-se
no espaço...
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